Espera para vacinação no ABC chega a até 22 horas

Por Cadu Proeti - Metro Jornal ABC

“Só saio daqui vacinado”. Essa frase foi dita pelo corretor Valmir Machado, 56 anos, que às 14h30 desta quinta-feira estava na fila de espera em frente ao Centro de Saúde Dr. Manoel Augusto Pirajá, em São Caetano,  na Grande São Paulo, para ser imunizado contra a febre amarela somente a partir das 8h desta sexta-feira. Ele relatou que chegou no local às 10h – ou seja, ficaria cerca de 22 horas na espera. “Vou para o litoral norte e estou com medo de pegar a doença porque lá tem muitas áreas de mata. Para aguentar tanto tempo na fila, vou revezando com a minha mulher”, relatou. 

Ele não era o único que teria de esperar horas pela vacina. Por volta das 14h30 desta quinta, cerca de dez pessoas já aguardavam no local para tomar a vacina na manhã de sexta. Cada um usava uma estratégia para minimizar o cansaço. Uma senhora tinha uma cadeira de praia. Já o administrador de empresas Tancredo Neves, 35 anos, decidiu encher a mochila com frutas para não passar fome. “Se não for assim, a gente não aguenta”, comentou.

Na tarde de quinta, um GCM (Guarda Civil Municipal) fazia o controle de entrada de pessoas na unidade e uma funcionária dava orientações aos que chegavam com dúvidas sobre a vacinação. Atualmente, o município é o único da região a aplicar doses diariamente.     

E não foi só São Caetano que registrou longas filas. Funcionários da US (Unidade de Saúde) Utinga, em Santo André, disseram que a aglomeração de pessoas querendo vacina no posto começou a ser formada às 19h de quarta – espera de aproximadamente 13 horas. Segundo ela, centenas de moradores passaram a noite por ali. “A gente distribuiu as 300 senhas e ainda sobrou umas mil pessoas que ficaram sem”, relatou a servidora pública.

Situação semelhante foi registrada na US Vila Luzita, também em Santo André. “Estive aqui era meia-noite (de quarta para quinta-feira) e a fila estava dando volta no quarteirão. Muita gente trouxe lanche, dormiu aqui. Só que a senha não dá para todo mundo. Eu não aguento ficar tanto tempo. Foi a segunda vez que vim, mas acabei indo embora”, disse a aposentada Noemia do Nascimento, 58 anos, que se diz preocupada porque mora no bairro Clube de Campo, próximo à mata, e ainda não se vacinou.

O secretário de Saúde de São Bernardo, Geraldo Reple,  disse que na UBS (Unidade Básica de Saúde) Ferrazópolis a fila teve início por volta das 20h de quarta com aproximadamente 150 pessoas – cerca de 12 horas na espera. “Colocamos um servidor para ficar lá orientando a noite toda, falando que não ia ter vacina para todos e que a prioridade era quem fosse viajar para áreas de risco. Mas, mesmo assim, insistiram em ficar”, afirmou.

Todos os postos do ABC terão vacina; campanha começa 5ª 

Posto de saúde de Santo André colocou placa para orientar moradores | Cadu Proieti/Metro Jornal ABC Posto de saúde de Santo André colocou placa para orientar moradores | Cadu Proieti/Metro Jornal ABC

Após reunião entre representas das prefeituras do ABC e do Estado, ficou definido que durante a campanha de vacinação contra febre amarela todos os postos de saúde farão aplicação de doses fracionadas. Também foi decidido que, assim como em São Caetano, idosos passarão por avaliação na hora para tomar a vacina, sem necessidade de prescrição médica.

Além disso, a Secretaria de Estado da Saúde antecipou o início da ação, que estava previsto para dia 29, mas agora acontecerá na quinta-feira.

A campanha terá as doses fracionadas da vacina, conforme diretriz do Ministério da Saúde. O frasco convencional poderá ser dividido em até quatro partes, sendo aplicado 0,1 ml em cada pessoa.

“Estudos evidenciam que a vacina fracionada tem eficácia comprovada de pelo menos oito anos. Pesquisas em andamento continuarão a avaliar a proteção posterior a esse período. As carteiras de vacinação terão um selo especial para informar que a dose aplicada foi a fracionada”, diz nota divulgada pela Secretaria de Estado da Saúde.

A ação prevê vacinar 2,3 milhões de moradores do ABC. “Não há necessidade de desespero. A região não é área de risco. Pedimos que as pessoas esperem alguns dias e procurem os postos durante a campanha, que daí a demanda será livre”, afirmou o secretário da Saúde de São Bernardo e coordenador do Grupo de Trabalho Saúde do Consórcio Intermunicipal, Geraldo Reple.  

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