Prefeito de São Bernardo reclama de dívida da gestão anterior e promete tocar projetos parados

Por Vanessa Selicani - Metro ABC
Divulgação/ Ricardo Cassin/ PSBC
Prefeito de São Bernardo reclama de dívida da gestão anterior e promete tocar projetos parados

O prefeito Orlando Morando (PSDB) considera o pagamento das dívidas sua principal ação no primeiro ano no comando de São Bernardo. Em entrevista ao Metro Jornal, o tucano nega que tenha cogitado concorrer ao governo do Estado e afirma que 2018 será um ano de retomada das obras paradas.

Qual a sua avaliação sobre o primeiro ano?

O  maior destaque foi o equilíbrio das contas. Primeiro ano foi para ter horizonte para projetar os três próximos. A situação financeira do país é grave e em São Bernardo não é diferente. Nós herdamos dívida de R$ 200 milhões. Conseguimos pagar, não devo para nenhum fornecedor. Se me perguntar o fato positivo, mesmo não tendo impacto direto na vida das pessoas, é o pagamento da dívida. Ela me permite fazer projeção para voltarmos a investir. Todos os cortes que fizemos de cargos, carros oficiais, Diário Oficial impresso que passou a ser on-line, redução do preço no contrato do lixo, na merenda e tantas outras ações somadas nos permitiu equilibrar as contas.

O que veremos de investimento no próximo ano?

Total retomada das obras do Centro Seco (drenagem). Já retomamos as do estacionamento. Não será tudo finalizado no ano, o cronograma de obras é maior. Mas vamos chegar em dezembro do ano que vem com elas muito adiantadas, tanto o túnel (na rua Jurubatuba) quanto o piscinão (no paço). Só estou esperando o laudo do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas). Vamos retomar as obras de mobilidade urbana. Haverá conclusão na estrada do Alvarenga (corredor de ônibus), que tem consumido muito recurso com as desapropriações. Vamos concluir no primeiro semestre as obras das avenidas João Firmino e Vergueiro. O corredor Leste-Oeste será retomado. Entrego o terminal rodoviário (Alves Dias) em fevereiro. O maior desafio é buscar o acordo jurídico por meio do TAC (Termo de Ajuste de Conduta) para poder concluir as obras do Museu do Trabalho. Conseguimos já um passo importante, que foi a Justiça autorizar contratar empresa para o diagnóstico do que precisa terminar no prédio.

Um ano não é um tempo grande para retomada de obras como o piscinão?

Mas eu não tinha segurança jurídica para isso. Tanto que o IPT ainda não me entregou o laudo. Atrasou um pouco. Nós estamos falando de um instituto que é um dos mais respeitados, demandado até pelo Ministério Público. Eu não ia retomar obra sem segurança. O que foi pago até agora foi feito? O importante é que vamos concluir no meu mandato. É uma obra que posso afirmar que entrego: a esplanada do paço, o piscinão e o túnel. 

Será preciso mais um ano de obra para o piscinão?

Acredito, pelo o que eu vi até agora, de 18 a 20 meses para a conclusão total.

O senhor rompeu três grandes contratos firmados na gestão passada, do prefeito Luiz Marinho (PT):  lixo, guincho e estacionamento de veículos e Vera Cruz. Houve motivação política? Por quê foram rompidos?

Entendemos que havia vícios nos modelos desses contratos. O Vera Cruz era uma concessão lesiva ao município. Tanto é verdade que eu rescindi e eles não entraram nem com recurso administrativo. Eles usaram e não pagaram. A Procuradoria vai processar para que façam ressarcimento ao município. O pátio era um modelo extremamente nocivo ao usuário. A concessão foi renovada sem nenhum parecer jurídico. E criou-se aqui um mecanismo para incessante apreensão de veículos, porque o concessionário era remunerado pelo volume de carro apreendido. Não consideramos correto. O do lixo, é um outro fator. Hoje o município estaria pagando R$ 16 milhões ao mês. Eu estou pagando R$ 8,2 milhões. O município não ia suportar manter um contrato desse. Além do que as contrapartidas não foram nem iniciadas, que era a usina. Nós teríamos problemas com o Tribunal de Contas em manter o contrato.

O ano passado começou com greve de lixo. O que há de diferente no novo contrato? A usina está nele?

A usina, esquece. Nós teremos aumento da varrição, banheiros químicos nas feiras, ampliação no sistema de poda de árvores, que é um grave problema na cidade. Teremos serviço ampliado num preço muito menor.

Qual será o valor mensal?

Estimamos em torno de
R$ 10 milhões.

Qual a situação dos estúdios Vera Cruz?

Nós já recebemos a Endemol, que gravou aqui durante quatro meses. Foram quase R$ 400 mil, em preço público. Gerou 150 empregos. E envolveu a origem do Vera Cruz, que é de produtos para a televisão. Vamos continuar insistindo. A Secretaria de Comunicação tem recebido muita consulta para gravação de programas. A ideia é um dos galpões só para a indústria de televisão.

E a revitalização do espaço?

Preciso correr atrás de parceiro privado para isso. Com o dinheiro do município, seria muito difícil, mediante as outras prioridades da cidade. 

Por que a demora para liberar o Museu do Trabalho? Não há como pressionar?

Aí precisa falar com a Justiça, que tem o tempo dela, e nós temos que respeitar.

O senhor prometeu 10 creches por ano. Em 2017, nenhuma foi entregue. O que ocorreu?

Tivemos dificuldade financeira. Quando fiz o pacto de campanha, não imaginava que encontraria situação tão ruim. Com os R$ 200 milhões de dívida, poderia ter feito as 40 creches no primeiro ano. Mas o importante é não ter criança fora da sala de aula. Volto a repetir que até o final do mandato não haverá mais nenhuma. Vamos construir novas e ampliar os convênios.

Qual o balanço das ações feitas no pós-balsa, que impediu transporte e venda de material de construção?

Conseguimos manter um congelamento de novas ocupações. A operação será mantida, a fiscalização continua, e neste ano a gente quer apresentar projeto de recuperação da área envolvendo projetos habitacionais no próprio local para preservar o que já existe, tanto de habitação quanto de meio ambiente.

Como as denúncias de venda de cargos e licenças ambientais contra o ex-secretário Mário de Abreu Filho podem refletir no seu governo? Ele era um homem de confiança?

Fui surpreendido e fiquei decepcionado. Isso se comprovadas as denúncias. Não quero nem farei pré-julgamento. Tomei todas as medidas que me cabiam. Fui além da Justiça, que me pedia afastamento, com pagamento de salários. Exonerei, ele e todos que estavam no inquérito. Temos comissão de investigação também aqui no município, que já está na fase final de depoimentos e colaborando com a Justiça em tudo que ela nos requisitar. É natural que não é um fato bom.

O senhor pensou em ser o candidato do PSDB nas eleições para governador de São Paulo neste ano?

Não, em nenhum momento. O que eu vi foi uma profunda especulação do meu nome. Um coloca em pesquisa, outro diz que eu sou bom nome. Vocês da imprensa e da sociedade não me ouviram falar que eu gostaria. E também não condeno quem quer. Mas minha prioridade é continuar governando São Bernardo. Estou dando o melhor de mim aqui. Vou terminar meu mandato.

O senhor optou por não dialogar com as lideranças do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) sobre a ocupação no bairro Planalto. Por quê?

O terreno é privado. Se fosse público, era uma outra questão. A Justiça já havia decidido pela reintegração de posse. O que o município pode ser parte nisso? Além disso, temos cadastro próprio da prefeitura. Tenho fila de mais de 2 mil pessoas esperando, que recebem vale-aluguel. Então eu não posso inverter cronograma que não fui eu quem inventou. Essas pessoas (em espera), na grande maioria, tinham suas casas e foram retiradas porque viviam em área de risco. Eu vou furar a fila delas? Não faz sentido. Agora, é claro que não defendo ação de invasão de áreas.

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