Após crise, consumo de água no ABC volta a subir

Consumo diário registrou alta pelo segundo ano seguido no ABC desde a grande economia alcançada durante a crise hídrica. São Caetano tem maior gasto diário por habitante entre as cidades da região

Por Vanessa Selicani - Metro Jornal ABC

O consumo de água nas cidades do ABC registrou aumento pelo segundo ano seguido. Após o impacto da crise hídrica entre 2014 e 2015, quando muitos moradores tiveram de enfrentar problemas com torneiras secas, a atenção com os desperdícios parece ter sido reduzida.

As três cidades tiveram grande redução no consumo diário por habitante nos dois anos em que as represas ficaram em níveis críticos e algumas companhias de água ofereciam incentivos financeiros para quem economizava e multas aos gastões.

São Bernardo, por exemplo, alcançou o maior corte no consumo, de 19%, entre 2014 e 2015. Mas viu mais água ser gasta em 2016, com aumento de 2,3%, e em 2017, com mais 3%, na comparação ano a ano entre os primeiros semestres. Os dados são da Sabesp, que administra o serviço na cidade.

Santo André, um dos municípios mais atingidos pela crise, teve diminuição de 13% entre 2014 e 2015, e voltou a ver o consumo subir 2% e 3% nos anos seguintes, de acordo com informações do Semasa (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André).

São Caetano mantém o maior consumo por habitante da região. São 264 litros diários por habitante, quase o dobro que São Bernardo, com 134 litros. A informação na cidade foi calculada com base no consumo total fornecido pelo Saesa (Sistema de Água, Esgoto e Saneamento Ambiental) de São Caetano e as projeções populacionais divulgadas pelo IBGE. No caso de Santo André e São Bernardo, as próprias companhias divulgaram a informação.

São Caetano também poupou na crise, com redução de 14% no consumo per capita, mas voltou a ter aumento em 2016 (4,5%) e 2017 (4,7%).

Água arte

Especialistas criticam falta de campanhas sobre o tema

Porta-voz da Aliança pela Água, que reúne cerca de 70 organizações em prol da defesa dos recursos hídricos, Marussia Whately afirma que a multa para os gastadores de água ajudou a criar as condições para a queda do consumo durante a crise hídrica, mas não se foi além. “Em lugares com redução de consumo, foram feitos investimentos privados, como em prédios que se adaptaram para o reúso da água e que trocaram equipamentos, mas porque havia multa para quem gastasse mais água. Para que isso se mantivesse por mais tempo e fosse incorporado como política pública, era necessário reflexão sobre os padrões de consumo, o que não houve.”

Pós-doutor em geociências pela Unicamp, Maurício Waldman também critica a forma como as campanhas foram feitas.“De fato, há muita desinformação e mau comportamento das pessoas. Faltam também campanhas educativas, não só pedindo para fechar a torneira, mas que mostrem como podemos consumir alimentos com menor impacto hídrico ou como o lixo é o maior poluente das águas.”  

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