Grafites apagados, Cracolândia, farinata... relembre as polêmicas do 1º ano da gestão Doria

Por Metro Jornal

Após ter sido eleito no primeiro turno com 53% dos votos, o prefeito João Doria (PSDB) assumiu a capital paulista sob grande expectativa. De acordo com pesquisa Datafolha, realizada em fevereiro desde ano, 44% dos paulistanos consideravam sua gestão boa/ótima, enquanto 10% consideravam ruim/péssima. No final de novembro, a avaliação positiva do prefeito caiu, e 29% classificaram como boa/ótima, enquanto 39% consideraram ruim/péssima, igualando a avaliação do ex-prefeito Fernando Haddad.

O primeiro ano da gestão Doria foi marcado por algumas polêmicas. Relembre:

Velocidade máxima nas marginais

 

marginal velocidade Danilo Verpa/Folhapress

Promessa de campanha do prefeito João Doria, a mudança na velocidade máxima nas marginais começou na gestão de Fernando Haddad (PT). O petista havia reduzido o limite de velocidade em 20 de julho de 2015, limitando a 50 km/h, 60 km/h e 70 km/h nas faixas locais, centrais e expressas dos mais de 46 quilômetros de vias.

Doria iniciou seu mandato garantindo que as marginais voltariam a ter velocidade máxima mais alta e, logo em janeiro, no dia do aniversário da cidade de São Paulo, os limites passaram a ser 60 km/h, 70 km/h e 90 km/h nas pistas locais, centrais e expressas. O tucano aproveitou a medida impopular de Haddad e passou a utilizar o slogan "Acelera SP", em referência aos limites mais altos.

O tucano foi muito criticado por organizações sociais e parte da população que argumentavam que, com o aumento da velocidade, o número de acidentes de trânsito e, consequentemente, mortes, iria aumentar. De acordo com levantamento da CET, vinculado à gestão Doria, foram registradas 20 mortes nas pistas das marginais Tietê e Pinheiros entre janeiro e agosto de 2017. No mesmo período do ano passado, foram 19 mortes.

Essa polêmica divide os paulistanos. De acordo com pesquisa Ibope/Rede Nossa São Paulo divulgada em janeiro, 54% concordavam com o aumento da velocidade nas marginais, enquanto 41% eram contrários e 5% não manifestaram opinião.

 

Grafites da avenida 23 de Maio

grafite 23 de maio Alf Ribeiro/Folhapress

Logo no primeiro mês do mandato, Doria se envolveu em uma polêmica ao apagar diversos grafites da avenida 23 de Maio, e substituí-los por tinta cinza. Entre as obras apagadas estava um painel de Eduardo Kobra.

A justificativa da prefeitura na época era que "os locais estavam deteriorados ou pichados, por isso tiveram que ser apagados".  A medida levantou um enorme debate sobre arte urbana e muitos grafiteiros protestaram sobre a decisão. Três meses depois, o prefeito admitiu que avaliou mal a questão.

"Quando determinamos a recuperação da 23 de maio não avaliamos bem a relação dos pichadores com grafiteiros e muralistas. Grafiteiros já foram pichadores. Pichadores são agressores. Não sabíamos quão próxima era essa relação. Pichadores ameaçam os grafiteiros, porque a arte dos grafiteiros é arte de rua.", disse em entrevista no programa Diálogos, da Globo News.

Como solução para o muro cinza, Doria instalou um muro verde com 9 mil mudas de vegetação. “Verde também é arte e a gente vai valorizar a vegetação. Unha de gato é a coisa mais bonita que existe”, disse o prefeito quando anunciou a mudança.

Cracolândia

cracolandia Joca Duarte/Photo Press/Folhapress

No dia 21 de maio, a polícia de São Paulo fez uma megaoperação de combate ao tráfico de drogas na cracolândia, que envolveu mais de 500 policiais, helicópteros e bombas. 38 pessoas foram presas.

Após a ação, o prefeito João Doria declarou à imprensa que a cracolândia havia acabado. "A cracolândia aqui acabou, não vai voltar mais. Nem a prefeitura permitirá, nem o governo do Estado. Essa área será liberada de qualquer circunstância como essa. A partir de hoje, isso é passado", disse.  O prefeito também anunciou o fim do programa De Braços Abertos, criado na gestão Haddad.

A ação foi alvo de críticas de órgãos como o Ministério Público e a Defensoria Pública do Estado.

Apesar da frase de impacto, a megaoperação da polícia só fez com que a "feira da droga" fosse espalhada pela região central da capital paulista. Em poucos dias, uma "nova cracolândia" estava instalada há 400 metros dali, na praça Princesa Isabel.

Três dias após a operação, a secretária municipal de Direitos Humanos Patrícia Bezzera enviou uma carta ao prefeito dizendo que estava deixando o cargo por “decisão em caráter pessoal e irrevogável” e classificou a ação na cracolândia como "desastrosa".

Muito criticado, Doria só foi se pronunciar sobre o caso dez dias depois, através de um vídeo nas redes sociais, dizendo que não iria recuar de sua política anticrack. "Nós não vamos recuar. Não vamos abandonar nossa ação contra os traficantes, contra os bandidos", afirmou.

Viagens

 

Doria Recife Alexandre Gondim/JC Imagem/Folhapress

Principalmente no segundo semestre do ano, o prefeito João Doria começou a realizar diversas viagens para cidades como Curitiba, Salvador, Recife, Natal e Fortaleza, onde ministrou palestras ou recebeu prêmios.

As ausências corriqueiras do prefeito na administração da capital paulista gerou críticas, principalmente da oposição, que acusou o prefeito de usar o cargo para fazer campanha antecipada da Presidência da República.

O Ministério Público chegou a pedir esclarecimentos ao tucano sobre as viagens que ele tem feito. Doria se defendeu, afirmando que as viagens são custeadas por ele mesmo.

"As viagens que faço, faço com meu dinheiro. Eu pago as minhas viagens, seja no Brasil, seja no exterior. É uma opção que tive. Assim como uso o meu automóvel, devolvo o meu salário para o terceiro setor e quero voltar a dizer: vamos continuar a viajar. No Brasil e fora do Brasil, quantas vezes forem necessárias para mostrar o valor da nossa cidade atrair investimento, gerar empregos e produtividade".

Farinata

farinata raçao humana Manifestantes foram às ruas protestar contra a farinata nas escolas / Fábio Vieira/FotoRua/Folhapress

Em outubro, o prefeito anunciou, em um vídeo nas redes sociais, uma medida que visava erradicar a fome em São Paulo. Apresentado como "comida de astronauta", o granulado alimentar é um produto feito à base de farinata, que é uma espécie de farinha feita a partir de vários alimentos que estão perto da validade e seriam incinerados por produtores e supermercados. O objetivo era servir o composto como complemento e substituto de parte da merenda escolar.

Em pouco tempo, muitos nutricionistas criticaram a iniciativa e passaram a chamar a farinata de "ração humana". O próprio Conselho Regional de Nutricionistas se posicionou contra, afirmando que o programa contraria os princípios do DHAA (Direito Humano à alimentação adequada) . “Em total desrespeito aos avanços obtidos nas últimas décadas no campo da segurança alimentar e no que tange as políticas públicas sobre as ações de combate à fome e desnutrição”, dizia a nota emitida pelo conselho.

Poucos dias depois de anunciar o granulado, Doria desistiu de usar a farinata na merenda das escolas municipais. De acordo com nota emitida pela prefeitura, uma  “eventual” distribuição da farinata “será de atribuição, principalmente, dos serviços municipais de assistência social” e usada na produção de pães, bolos e sopas.

 

 

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