Com média de 9 casos de estupro por dia, São Paulo se equipara a Nova Deli em risco de violência sexual

Por Metro Jornal
Rovena Rosa/Agência Brasil
Com média de 9 casos de estupro por dia, São Paulo se equipara a Nova Deli em risco de violência sexual

Ruas escuras, tarde da noite, volta para casa após um dia de trabalho ou estudos. Apesar de conhecida por boa parte das mulheres, essa realidade continua sendo assustadora. São Paulo, a maior metrópole do país, é a cidade com maior potencial de risco de violência sexual para as mulheres — equiparado a Nova Deli, capital da Índia —, segundo um estudo realizado pela Thomson Reuters Foundation entre 1º de junho e 28 de julho e divulgado em outubro deste ano.

Especialistas chegaram a esta conclusão após entrevistarem 380 pessoas, entre acadêmicos, representantes de ONGs, profissionais da área da saúde e responsáveis pelo desenvolvimento de políticas públicas, em 19 cidades ao redor do mundo.

A cidade de São Paulo registrou 279 casos de estupro no mês de outubro, uma média de nove ocorrências por dia deste tipo de crime, a maior do ano. Os dados foram divulgados na segunda-feira (27) pela SSP (Secretaria de Segurança Pública do Estado) e atestam um cenário de insegurança e crescimento constante da taxa deste tipo de crime em relação aos meses anteriores.

Neste ano, o menor índice foi registrado em abril, com 159 casos. No mês seguinte, o número saltou para 255, um recorde até agora.

Em nota, a SSP alegou que este crescimento se deve às campanhas de incentivo ao registro formal das ocorrências promovidas pela pasta , como a de conscientização sobre assédios em transportes públicos. De acordo com a secretaria, o Estado conta com 133 Delegacias de Defesa da Mulher (DDM) – o que representa 35,8% do total no país, sendo nove delas localizadas na Capital, 16 na Grande SP e 108 nas cidades do Interior.

A advogada parceira do Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde Letícia Vella, por outro lado, explica que as razões que podem ter contribuído para esse aumento são inúmeras​ ​e​ ​difíceis​ ​de​ ​serem​ ​mapeadas​ ​sem​ ​um​ ​estudo​ ​detalhado​ ​sobre o​ ​tema. "No Brasil, estima-se que, em média, apenas 10% dos casos de estupro sejam notificados. Então, mesmo o índice de ocorrências sendo alto e tendo aumentado, ele só consegue dar conta de um pequeno número de casos que realmente ocorrem." Os motivos, como ressalta a advogada, são variados: medo, insegurança, vergonha, culpa e o fato de o agressor ser próximo à vítima na maioria dos casos. "Isso faz com que a realidade seja ainda pior do que​ ​já​ ​parece​ ​ser."

Para a também advogada parceira do coletivo, Fernanda Nunes, ainda há muito a se avançar na implementação de políticas públicas que garantam a segurança e o acolhimento das mulheres. "O que vemos frequentemente são funcionários desmotivados e desprovidos de qualquer auxílio para lidarem com os problemas​ ​complexos​ ​que​ ​lhes​ ​são​ ​apresentados. Tudo isso desestimula a mulher a buscar auxílio, pois está sujeita à revitimização, julgamento de valor, descrédito e, muitas vezes, a soluções​ ​ineficazes​ ​para​ ​o​ ​seu​ ​problema."

Onda de denúncias

No último mês, atrizes, atletas, produtoras e profissionais de diversas áreas vem tomando conta das redes sociais com relatos de abuso e assédio sexual. A cada mensagem, a rede de coragem se intensificava e incentivava outras mulheres a também romperem o silêncio.

"Sem dúvidas, as discussões feitas pela mídia sobre o tema do assédio e abuso sexual, bem como as denúncias entre pessoas que tem grande visibilidade na mídia contribuem para o fortalecimento dessas mulheres, para que reconheçam a violência e se sintam encorajadas para lutarem por seus direitos", aponta Letícia Vella.

Contudo, a advogada reconhece que é muito difícil fazer esse tipo de análise e concluir que esse tenha sido um fator fundamental para o aumento do número de casos notificados de estupro na cidade de São Paulo.

Para denunciar

​É importante ressaltar que estupro é crime e pode ser reportado em uma Delegacia de Defesa da Mulher, sem necessidade da mulher estar acompanhada por um advogado.

Por lei, os hospitais devem oferecer às vítimas de violência sexual atendimento emergencial, integral e multidisciplinar, e encaminhamento, se for o caso, aos serviços de assistência social. É garantido o direito ao aborto legal caso a ocorrência resulte em gravidez.

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