Prefeitura de São Paulo se prepara para combater mosquito da dengue

Por André Vieira - Metro Jornal São Paulo
Divulgação
Prefeitura de São Paulo se prepara para combater mosquito da dengue

A guerra de todos os anos que a Prefeitura de São Paulo declara ao mosquito Aedes aegypti será fria nesta temporada de verão.

Com perspectiva de que os números da dengue permanecerão baixos e, que nem de longe se aproximarão da epidemia de 2015, a capital se prepara para usar as armas mais antigas para combater o transmissor da doença – e também da zika e chikungunya – e abrir mão das ações ostensivas.

Em 2015, a capital registrou 100 mil casos de dengue. No ano seguinte, o número caiu para 16,2 mil e, em 2017, são “apenas” 765.

“A dengue é difícil de prever, mas as condições climáticas indicam que poderemos ter um controle maior em 2018. É esperado um aumento em relação a 2017, mas não será expressivo”, afirmou o coordenador do Programa Municipal de Vigilância e Controle de Arboviroses, Eduardo de Masi.

Nos últimos dois anos, a prefeitura usou drones para caçar focos do mosquito e criou uma lei para entrar à força em imóveis que ofereciam risco. Até o Exército foi chamado para auxiliar nos trabalhos e tendas provisórias foram montadas para socorrer os doentes.

Mas tudo isso deve ser deixado de lado, pelo menos por enquanto, de acordo com de Masi: a utilização dos drones não está prevista e o dispositivo que permite “invadir” as casas ainda não foi nem deverá ser usado, pois “o cenário não se mostra propenso”.

Velhas armas

A aposta da prefeitura é utilizar os 2 mil agentes de saúde para percorrer os pontos mais críticos e já mapeados, fazendo a “boa e velha” vistoria nos imóveis.

“O drone serve, principalmente, para locais abandonados, com grandes focos, como piscinas. Com a vistoria, a gente consegue entrar na maior parte dos imóveis depois de uma ou outra tentativa”, afirmou.

O trabalho começou em julho e vai ser intensificado até o fim do ano. Ainda neste mês, uma campanha oficial deverá ser lançada com o Dia D de combate em 8 de dezembro – data nacional que ainda deverá ser confirmada pelo Ministério da Saúde.

Além da vistoria, as campanhas educativas serão intensificadas. “A dengue é sazonal e as estratégias de combate se repetem. A população tem a sua obrigação, que é aquela de sempre: de evitar deixar água parada, cobrir a caixa d’água. Isso tem que ser um hábito, como é entrar no carro e colocar o cinto de segurança”, afirmou de Masi.

'A natureza deu conta'

Para o infectologista e clínico da Unifesp Paulo Olzon, a dengue deverá assustar menos nessa temporada por uma ajuda da “natureza”. O surto dos últimos anos aumentou o número de pessoas resistentes e o clima que está se desenhando, com temperaturas menos elevadas, reduz as condições para a proliferação dos mosquitos. Além disso, como tem sido menos agressiva neste ano, “há um número menor de pessoas doentes para os mosquitos picarem e espalharem o vírus”.   


Casos registrados na capital

• 2016.
Dengue: 16.283
Chikungunya: 50
Zika: 10

• 2017.
Dengue: 765
Chikungunya: 18
Zika: 3

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