Ciclistas criticam falta de estrutura em Belo Horizonte

Por Metro BH
/Fotoarena/Folhapress
Ciclistas criticam falta de estrutura em Belo Horizonte

Semanalmente, o dentista Carlos Edward Campos, de 51 anos, pedala por 30 km nas ruas da capital. Ele conta que usa sua bicicleta para grande parte dos deslocamentos que precisa fazer. “Eu só não uso para trabalhar, que vou a pé. Para os  demais deslocamentos, vou de bicicleta: reuniões, lazer, boteco, academia”, comenta. Entretanto, Carlos relata que manter essa rotina não é fácil. “Encontro muitas dificuldades. A principal delas é a agressividade no trânsito, a falta de respeito dos motoristas”, afirma o dentista.

Outro problema relatado por Carlos é a falta de políticas públicas que fortaleçam a utilização da bicicleta. “As ciclovias, por exemplo, são poucas e mal conectadas. E por mais que em algum momento você tenha que compartilhar a via com os veículos, boas ciclovias são importantes para quem está começando e em grandes avenidas”, argumenta.

Já a estudante Ana Soares, de 21 anos, conta que gostaria de usar mais a bicicleta, mas encontra muitos empecilhos. “Eu praticamente aboliria qualquer outro tipo de transporte. Mas fico com medo da violência e da falta de respeito dos motoristas. Isso sem contar que em BH temos muitos morros”, argumenta. “Mas eu gostaria de usar mais a bicicleta. É mais saudável, mais barato e, principalmente, mais ecológico”, completa.

As dificuldades encontradas por Carlos e Ana aparentemente também estão afetando os demais ciclistas de BH:  o número de pessoas que usam bicicleta na cidade começou a cair após anos de contínuo aumento. De acordo com pesquisa realizada pela Associação dos Ciclistas Urbanos de Belo Horizonte, a BH em Ciclo, houve um aumento de 7,7% no número de ciclistas na cidade entre 2010 e 2016 – crescimento de 1,1% ao ano. Mas em 2017 o quadro mudou: na comparação com o ano passado, foi registrada uma queda de 1,95%. A contagem ocorre de forma visual em locais espalhados por todas as regionais da capital mineira.

“É necessário que a prefeitura cumpra sua função de estimular os meios de transporte alternativo, como a bicicleta, o skate e até mesmo a pé. É preciso tornar o transporte intermodal possível. Por exemplo, incluir bicicletários nas estações de ônibus e metrô”, sugere o dentista.  Já a estudante acredita que não há uma cultura de uso da bicicleta no Brasil. “Falta um estímulo para que as pessoas usem a bicicleta desde crianças. O brasileiro, em geral, só quer saber de carro e não precisa ser assim”, ressalta.

Em julho deste ano, a prefeitura firmou o compromisso do Plano de Mobilidade por Bicicleta 2017/2020, que tem por objetivo incentivar o uso da bicicleta como meio de transporte. Ele conta com mais de 100 ações, previstas para serem concluídas até o fim do mandato de Kalil (PHS). Entre elas, está aumentar a malha de ciclovias da cidade de 83 para 411 km. “A melhor política pública que a prefeitura pode fazer é tirar o plano do papel e colocá-lo em prática”, conclui o dentista Carlos.  

Pesquisa revela perfil do ciclista

A pesquisa realizada mostra que, atualmente, a maior parte dos ciclistas pedala pelas ruas da cidade. São 49,9% do total, contra 37,1% andando pelas ciclovias e 13% pelas calçadas. Em 2016, 52,49% faziam uso das ciclovias, enquanto 37,47% iam pelas ruas e 9,98% pelas calçadas.

O levantamento mostrou também que a grande maioria das pessoas que pedala pelas ruas de BH é homem: 92,1% são do sexo masculino, enquanto apenas 7,9% são do feminino. A estudante Ana Soares acredita que ser mulher é um fator que pode desestimular o uso da bicicleta. “De bicicleta a gente acaba ficando mais vulnerável; é como andar a pé. As chances de sermos violentadas é maior que quando estamos em outros meios de transporte e acabamos optando por não pedalar”, exemplifica.

Entre os locais analisados na pesquisa, destaca-se a avenida Heráclito Mourão de Miranda, na região da Pampulha, que representa 30,2% do total de ciclistas contados. Logo em seguida, aparece a avenida Teresa Cristina, entre as regiões Oeste e Barreiro, com 12,1% e a Via 240, entre as regiões Norte e Nordeste, com 12%.  

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