Concessão da MG-424 é discutida em audiências

Com tráfego de mais de 28 mil veículos por dia, rodovia atravessa sete cidades; dos 49 km de extensão, 30 km são em pista simples

Por Lucas Morais - Metro Belo Horizonte
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Concessão da MG-424 é discutida em audiências

Em seus quase 50 km de extensão, duas realidades fazem parte da MG-424, na região metropolitana. Saindo da capital, os primeiros 20 km são duplicados e bem sinalizados, mas basta passar o trevo de Pedro Leopoldo para a situação mudar radicalmente: pistas simples, falta de placas indicativas, faixas desgastadas e até crateras criadas semanalmente pelo excesso de tráfego de caminhões. Em Matozinhos e Prudente de Morais, a rodovia mais parece uma avenida urbana, oferecendo riscos aos pedestres. “Um ciclista acabou de ser atropelado no cruzamento com uma rua”, contou o comerciante Geraldo Pacheco, de 43 anos.

E para tentar melhorar esse cenário, a saída do governo do Estado foi iniciar estudos para a concessão de todo o trecho à iniciativa privada. Desde 2015, a Setop (Secretaria de Estado de Transportes e Obras Públicas) iniciou a produção do edital de licitação, que agora será discutido em quatro audiências públicas (veja na arte ao lado).

De acordo com a pasta, a previsão é que o contrato tenha duração de 30 anos, com um investimento de R$ 1 bilhão, sendo R$ 400 milhões nos primeiros seis anos. “A concessão significará a duplicação da maior parte da via, retirará o tráfego de áreas urbanas, com um novo traçado nos locais mais críticos. Outro benefício é o atendimento 24 horas de guinchos e ambulâncias”, informou a secretaria. O documento deve ser lançado depois das audiências.

O texto prevê a criação de duas praças de pedágio: uma nas proximidades de São José da Lapa e outra de Prudente de Morais.  Atualmente, o trecho é mantido pelo DEER (Departamento de Edificações e Estradas de Rodagem), e, segundo a Setop, “está em boas condições” mesmo com o tráfego de 28 mil veículos por dia.

Sem segurança

Morador de Pedro Leopoldo, Victor Tavares, de 27 anos, usa a estrada diariamente. “Até Confins, a pista é boa, mas depois está praticamente abandonada. E mesmo com as obras no trevo de Pedro Leopoldo, os acidentes continuam ocorrendo. Em horário de pico, demoro até 15 minutos só para cruzar a via”, disse.

Por conta da concentração de indústrias, principalmente de cimento, a intensa circulação de caminhões pesados agrava as condições de segurança. “Está cada vez mais perigoso. Aqui tem muita criança e idoso atravessando a pista e não existe nenhum sinal de trânsito”, denunciou Maria Geralda, de Prudente de Morais. Em Matozinhos, a rodovia passa pelas principais áreas comerciais. “Sempre tem um acidente. Há uns cinco meses morreu uma moça aqui na frente”, afirmou Flávio Vasconcelos.

O presidente da Associação Comercial e Industrial de Sete Lagoas, Flávio Fonseca, revelou que algumas empresas chegam a desviar o transporte de cargas pela BR-040 por conta da gravidade da situação. “Ainda tem o tempo de deslocamento, que com sorte é de uma hora e meia até Confins”.

 

Arte MG

 

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