Paulistano já volta a correr 10 metros após passar radar

Por André Vieira - Metro Jornal
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Paulistano já volta a correr 10 metros após passar radar

Estudo realizado por startup ligada ao transporte deu números para o comportamento perigoso que muitos motoristas assumem no trânsito e que a Prefeitura de São Paulo começou a coibir neste mês: frear só perto dos radares e correr acima do permitido no restante do trajeto.

Elaborado com base na análise de dois milhões de dados de 91 radares localizados na avenida 23 de Maio e na marginal Tietê, o levantamento concluiu que o motorista médio paulistano reduz em 25% a velocidade do veículo quando avista um radar e volta a acelerar apenas 10 metros depois de passar pela fiscalização eletrônica.

Engenheiro de software da Cobli – startup de gestão de frotas, telemetria e roteirização, responsável pelo estudo – Fernando Stefanini afirmou que os dados mostram que ainda precisamos trabalhar muito na educação do trânsito para melhorarmos a mobilidade e reduzirmos os acidentes. “Uma boa cultura é a que é demonstrada quando ninguém está vendo.”

O engenheiro lembrou que frear bruscamente não é só um perigo para o trânsito, por conta do risco de colisões, como um prejuízo para o veículo: promove desgaste excessivo de freios e pastilhas e aumenta o gasto do combustível e dos pneus.

Multa moral

De olho em que freia só no radar, a prefeitura começou dia 1º a advertir estes motoristas na marginal Tietê e nas avenidas dos Bandeirantes, 23 de Maio e Jacu-Pêssego.

Nestes endereços, o condutor que passa pelo trecho entre dois radares mais rápido do que o tempo que levaria se estivesse dentro da velocidade máxima permitida recebe uma notificação.

Na 23, o intervalo tem 2,5 quilômetros. Dirigindo no limite de 60 km/h, o motorista precisará de 2 minutos e 30 segundos. Quem fizer em menos tempo é porque pisou mais fundo.

Nos primeiros seis dias, 53 mil motoristas foram advertidos nas quatro vias. O próximo balanço saíra quando a operação completar um mês.

Como a infração pela velocidade média não está regulamentada no país, a notificação é apenas educativa (sem multa ou soma de pontos). Mas a ideia da prefeitura é punir para valer assim que a medida for autorizada.

Segundo a Cobli, se a multa por velocidade média já estivesse valendo, o número de infrações por excesso de velocidade nestas vias aumentaria em cerca de 40%.

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