O Brasil tem que remover obstáculos ao crescimento, diz Aldo Rebelo

Por Metro
Aldo Rebelo - André Porto/Metro
O Brasil tem que remover obstáculos ao crescimento, diz Aldo Rebelo

Depois de 40 anos no PCdoB, o ex-ministro e ex-presidente da Câmara dos Deputados Aldo Rebelo filiou-se em setembro ao PSB e seu nome começa a aparecer como possível candidato a vice-presidente em chapa com Geraldo Alckmin (PSDB) nas eleições de 2018. A corrida eleitoral, o Código Florestal e os desafios do país para sair da crise foram temas da entrevista concedida por Rebelo nesta última sexta-feira (10) ao programa “Bastidores do Poder”, da rádio Bandeirantes, com os jornalistas Claudio Humberto e Thays Freitas.
Veja abaixo os principais trechos.

Qual a sua opinião sobre o atual questionamento da legalidade de pontos do novo Código Florestal?
Antes do novo código florestal, 90% da agricultura e da pecuária estavam na ilegalidade por causa de leis absurdas, que eram suspensas por decreto. Agora, o Ministério Público entrou com ação direta de inconstitucionalidade para tentar revogar pontos dessa lei. Se o STF (Supremo Tribunal Federal) revogar, volta toda a ilegalidade. É a criminalização da produção agrícola, é uma guerra comercial movida lá de fora por agricultores americanos e europeus.

O Brasil vai sair melhor após a crise?
Tenho visão crítica, mas otimista. Confio na possibilidade do país superar a atual crise e desorientação, a divisão e o estado de anomia em que se encontra para retomar a sua caminhada histórica de desenvolvimento com redução das desigualdades e com democracia.

Esse é um discurso de candidato a presidente ou a vice-presidente?
São especulações. Entrei no PSB sem qualquer tipo de pretensão ou reivindicação, mas tenho a convicção de que vamos contornar o impasse que vivemos atualmente.

Qual sua opinião sobre o quadro eleitoral de 2018?
Possibilidades não variam muito. Cartas decisivas do jogo eleitoral podem mudar. Se o ex-presidente Lula (PT) for candidato, vai polarizar a eleição, ele não sendo, vira tudo terceira via. Há muitas candidaturas postas, a do governador Geraldo Alckmin (PSDB), talvez do prefeito João Doria (PSDB), Jair Bolsonaro (PSC), Marina Silva (Rede), Ciro Gomes (PDT).

Investigados não deveriam ser afastados liminarmente da eleição?
O problema é que suspeita é insuficiente para condenação, por isso existe o processo legal. Mas acho que essa não é a principal questão: o nosso problema central é de agenda. O Brasil é uma sociedade desorientada, que discute o secundário e esquece as questões centrais. O que deve mobilizar partidos, mídia, empresários, intelectuais é como retomar a capacidade de crescer. Ficam discutindo a MP (Medida Provisória) de congelamento de gastos, por exemplo, mas congelar que gasto se não tem receita? Um país que tem um deficit de R$ 180 bilhões vai congelar o quê? Tem solução para a crise fiscal sem desenvolvimento? Vai ter receita sem crescer? Tem solução para a Previdência Social, para os 14 milhões de desempregados, tem dinheiro para a educação sem retomar o crescimento? Esse debate está secundarizado.

E como retomar o crescimento?
O Brasil se preparou de maneira requintada para não crescer. O TCU (Tribunal de Contas da União), por exemplo, paralisou não sei quantas obras, isso imobiliza patrimônio, trabalhadores, máquinas, equipamentos. Para fazer a segunda pista do aeroporto de Brasília, levamos mais tempo do que para construir Brasília inteira, isso porque órgãos ambientais encontraram um lobo-guará na área. O Linhão de Tucuruí, que leva energia para Roraima, está parado porque a Funai não permite instalar torres dentro de uma área indígena. Também perdemos investimentos de uma empresa japonesa de sequenciamento genético de plantas porque nossa legislação é muito dura, desistiram porque teriam que contratar mais advogados do que engenheiros. O país tem que remover os obstáculos ao crescimento.

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