Leishmaniose volta a crescer em Belo Horizonte e preocupa órgãos de saúde

Por Metro Belo Horizonte
James Gathany/Centers for Disease Control and Prevention's Public Health/Wikipedia
Leishmaniose volta a crescer em Belo Horizonte e preocupa órgãos de saúde

Muitas vezes silenciosa e, principalmente, perigosa, a leishmaniose voltou a crescer na capital. Hospedeiro da doença e sinal de alerta para o aumento de casos em humanos, o número de registros em cães teve um aumento de 8,5%. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, até outubro deste ano foram mais de cinco mil casos diagnosticados nos animais. Na comparação com 2015, o crescimento é ainda maior: de 25% (veja abaixo).

Contrariando entidades defensoras do direito dos animais, as autoridades sanitárias defendem a eutanásia do cão como forma de evitar a proliferação da enfermidade na população. Conforme o médico infectologista da Diretoria de Assistência à Saúde da prefeitura, Alexandre Moura, o tratamento dado aos animais é prolongado, reduz os sintomas, mas não leva à cura e, consequentemente, o cão continua com o protozoário. “É difícil, as famílias têm um vínculo afetivo, mas a única medida efetiva é a eutanásia”, explicou.

Mais letal que a dengue
Principal tipo de leishmaniose em circulação no ambiente urbano, a visceral é ainda mais letal para os humanos que a dengue – em todo o Estado, foram registrados 13 óbitos causados pelo Aedes aegypti, contra 43 da doença transmitida pelo mosquito-palha. “Muitas vezes a pessoa não chega a ter os sintomas, o próprio organismo consegue combater o protozoário. Mas em pessoas que são picadas e não estão com boa imunidade, como idosos e crianças, eles aparecem”, contou. Ainda há dificuldades em se chegar a um diagnóstico preciso. “É comum febre prolongada, emagrecimento, inchaço na barriga, desenvolvimento de anemia. E ela só vai evoluindo. Muitas vezes se pensa em  tuberculose, câncer e o tratamento acontece de forma errada”.

Assim como a dengue, a prevenção mais eficaz contra a doença é evitar os focos de um mosquito. Porém, as ações são completamente diferentes. “O palha não se prolifera em água parada, mas  em matéria orgânica, como lixo, adubo, fezes de animais”, finalizou.

Falta de recursos
Os números do Ministério da Saúde mostram a dimensão do problema no país: 90% de todos dos casos de leishmaniose visceral em cães registrados na América Latina estão concentrados no Brasil. “Do ponto de vista da pesquisa, a pergunta permanente é: será que estamos fazendo um controle tão eficaz quanto nos anos anteriores? A redução da verba destinada a diversas instituições também têm impacto negativo relevante”, explicou a pesquisadora da Faculdade de Farmácia da UFMG, Ana Paula Fernandes. Com pelo menos duas ações na área, o desenvolvimento de uma vacina e um medicamento na universidade é ameaçado pela falta de recursos.

leishmanionse - arte
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