ONU convoca brasileiros para combater o racismo

Por Raphael Veleda - Metro Brasília
Cenas dos vídeos da campanha Vidas Negras - reprodução/onu
ONU convoca brasileiros para combater o racismo

Os superlativos números da violência contra jovens negros no Brasil motivaram a ONU (Organização das Nações Unidas) a focar nesse problema na versão brasileira de um esforço mundial para combater o racismo. Lançada ontem, na sede das Nações Unidas em Brasília, a campanha Vidas Negras tem o objetivo de dar visibilidade a números como os do quadro ao lado e conscientizar sobre situações em que o racismo pode aparecer, como em seleções para empregos. Isso será feito por meio de vídeos e imagens que a entidade vai divulgar em redes sociais e meios de comunicação.

“O racismo mata. Os jovens negros sofrem com um racismo estrutural que buscamos combater pela conscientização de que as vidas negras importam. As vidas negras importam”, disse, no evento, o coordenador da ONU no Brasil, Niky Fabiancic, destacando a última frase, que virou recentemente um símbolo da luta contra o racismo nos Estados Unidos, após episódios de violência policial.

A campanha, que em inglês ganhou a hashtag #BlackLivesMatter, fez sucesso nas redes sociais, algo que a ONU tenta agora replicar no Brasil, incentivendo a divulgação do material em redes sociais com a hashtag em português: #VidasNegras.

Para o lançamento da campanha foram convidadas autoridades e políticos. Mas quem roubou a cena mesmo foram os mestres de cerimônia, dois jovens negros que trabalham na ONU, com tiradas inteligentes. Quando o evento completou 23 minutos, por exemplo, Lázaro Silva lembrou que, pelas estatísticas, um jovem negro havia morrido desde a abertura dos trabalhos. Depois, ele falou sobre a própria experiência com uma forma comum de racismo: logo após se mudar do Rio de Janeiro para Brasília, foi alvo de uma batida policial perto de casa. “Estava com um amigo branco que não foi revistado. E me perguntaram o que eu fazia na Asa Sul. Foi um sentimento de não pertencimento, mesmo sabendo que negros como eu são maioria no país”.

Representante do governo brasileiro no evento, o Secretário Nacional de Juventude, Assis Filho, disse que o país tem dívida histórica com os negros e precisa saná-la com ações como cotas em universidades e concursos públicos.

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