Metade das estradas de Minas Gerais é assim...

Por Lucas Morais - Metro BH
BR-364 em Frutal, no Triângulo Mineiro - metro
Metade das estradas de Minas Gerais é assim...

Na noite do último domingo, uma colisão frontal entre um veículo de passeio e um caminhão de mudança provocou a morte de um homem de 69 anos na BR-365, em Montes Claros, no Norte do Estado. Horas antes, outro, de 49 anos, veio a óbito depois de bater de frente com uma carreta na BR-135 em Curvelo, na região Central. Quase todos os dias, ocorrências como essas são registradas em todo o Estado. O motivo nem sempre é a imprudência: as condições das rodovias mineiras influenciam, e muito, na segurança dos motoristas. Dados divulgados pela CNT (Confederação Nacional do Transporte) mostraram que apenas 4% das estradas são ótimas, contra 32,9% de ruins ou péssimas. E a situação vem se agravando.

Para a entidade, a redução de investimentos da União e do governo de Minas explicam o retrocesso. Dados do Portal da Transparência mostram que o orçamento do DEER (Departamento de Edificações e Estradas de Rodagem) caiu mais de 67% nos últimos três anos. E nas rodovias federais a situação não é diferente – os gastos com os acidentes, que causaram mais de 6,3 mil óbitos no país em 2016, ultrapassam os investimentos nas vias em mais de R$ 2 bilhões.

O professor do Departamento de Engenharia de Transportes e Geotecnia da UFMG, Dimas Alberto Gazolla, acredita que a situação já é de calamidade pública. “Chega a ser tão grande [o custo dos acidentes de trânsito] que supera os gastos com pacientes com doenças cardíacas e câncer. Além de indenizações, tem o investimento em materiais, equipe de emergência”, exemplificou.

Pista simples e sinalização

Em Minas Gerais, 88,9% das rodovias apresentam pista simples de mão dupla e em mais da metade a pintura das faixas de sinalização está desgastada. “Há uma relação direta entre a segurança e o número de pistas. Quando são duplas e separadas por um canteiro central, os acidentes se reduzem drasticamente. E elas são necessárias em locais com tráfego pesado de veículos. O que acontece no Brasil é que esse volume não é acompanhado por uma expansão”, finalizou o especialista.

Obras na BR-381 em ritmo lento

O trecho de quase 400 km entre Belo Horizonte e Governador Valadares, no Vale do Rio Doce, simboliza o caos e a necessidade de intervenções na infraestrutura das rodovias mineiras. As pistas simples não comportam mais o trânsito pesado e muitas vezes provocam longos congestionamentos e até colisões frontais, responsáveis pela fama de “rodovia da morte”. E apesar do governo ter iniciado obras de duplicação no local em 2014, nenhum lote chegou a ser entregue aos usuários. Aliado a isso, algumas empresas abandonaram as licitações e a demora na concessão de licenças ambientais travam os trabalhos.

Segundo o consultor do Movimento 381, o maior entrave atual é o orçamento disponibilizado pela União. “É necessário pelos menos R$ 500 milhões para que os trechos que estão em obra não parem em 2018. Já em relação aos lotes abandonados, são necessários recursos adicionais para os novos editais”, explicou. A previsão é que os dois lotes em andamento sejam entregues em 2019. “Avançamos, mas certamente menos do que gostaríamos. Isso afeta uma região inteira”. 

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