Após três meses, unidades de saúde em Santo André seguem sem obras

Programa que prevê revitalização das unidades de saúde de Santo André ainda não começou as reformas prometidas

Por Metro Jornal ABC - Cadu Proietti
Após três meses, unidades de saúde em Santo André seguem sem obras

As sete unidades de saúde de Santo André que foram fechadas no início de agosto para receberem serviços de revitalização pelo programa municipal Qualisaúde seguem sem obras após três meses do fechamento dos equipamentos.

A reportagem visitou todas elas e não encontrou trabalhadores atuando nesses locais. Em apenas duas delas os vizinhos dos postos médicos disseram já ter visto algum tipo de intervenção por parte da prefeitura.

Uma é a US (Unidade de Saúde) Vila Humaitá, onde grande parte do revestimento cerâmico da parede externa foi tirada e as  entradas foram fechadas com muro de tijolos. Moradores do entorno disseram que raramente veem trabalho por ali. “Se continuar assim, vai um ano só para tirar todo esse revestimento que eles estão tirando”, disse um deles, que pediu para não ser identificado.

Em 20 de setembro, a prefeitura anunciou que o programa estava entrando, de fato, na fase de obras físicas. Na ocasião, o prefeito Paulinho Serra (PSDB) fez um vídeo ao vivo no Facebook dentro da UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Jardim Santo André, em que era possível ver trabalhadores quebrando as paredes. “Quando ele veio aqui, ouvimos barulho lá dentro. Foi o único dia que vimos obra, um pessoal batendo com martelo. Depois não teve mais nada”, disse o servidor público Izaias Martins Cardoso, 55 anos, vizinho do equipamento.

Os moradores do entorno das USs Campestre, Parque Novo Oratório, Parque das Nações, Bom Pastor e do Centro de Especialidades 3, na Vila Vitória, disseram à reportagem que não viram intervenções nos postos de saúde até o momento.

O prefeito afirmou que a contratação das empresas para execução dos trabalhos está em fase final. “Não haverá atraso  nos prazos previstos inicialmente. Pelo contrário, vamos entregar algumas unidades antes do previsto”, justificou Paulinho (leia mais abaixo).

A estimativa inicial do programa é finalizar as reformas entre agosto do ano que vem e janeiro de 2019.

Postos sofrem com furtos e  vandalismo
Sem as obras prometidas, algumas unidades de saúde estão sofrendo com vandalismo, invasão e furtos. É o que dizem os vizinhos dos postos.

Na UPA do Jardim Santo André, as portas metálicas das lixeiras que ficam na frente do imóvel foram furtadas. “Tem gente entrando, levando coisa de lá de dentro. A gente que mora aqui do lado vê tudo”, disse a servidora pública Noemi Cardoso Pinheiro, 51 anos.

No Parque Novo Oratório, moradores disseram que o equipamento de saúde tem sido invadido. “Está perigoso, tem morador de rua entrando para usar droga, dormem lá dentro. Estamos preocupados com a situação que ficou. Já quebraram a corrente do portão duas vezes”, relatou a diarista Maria Conceição da Silva, 48 anos.

Na Vila Humaitá e no Jardim Santo André a prefeitura, após furtos, fechou as entradas com muro de tijolos.


ENTREVISTA – 
PAULINHO SERRA

Prefeito faz um balanço dos três meses do Qualisaúde.

Haverá mudança no cronograma do programa?
A gente tem feito um grande esforço para antecipar os cronogramas. As contratações já foram publicadas e tomadas de preços foram publicadas. O cronograma está em dia. Há um grande trabalho para antecipar algumas entregas. A ideia é a gente adiantar de três a quatro meses o prazo de alguns equipamentos.

Por que houve demora para o início das obras?
O Qualisaúde não é um programa de obras. As datas serão cumpridas e devem ser adiantas. Não haverá nenhum atraso. Toda a parte de qualificação e informatização já está sendo feita, mas é um parte que não aparece aos olhos das pessoas. A população espera a obra física, isso é natural. Mas em alguns casos, a obra nem é prioridade, mas sim a informatização.

Qual o balanço dos três meses do programa?
Positivo! As pessoas têm que saber que a saúde estava completamente sucateada. Foi uma das surpresas negativas que encontramos. Mas estamos muito próximos da contratação do sistema de informatização. O programa evoluiu muito, inclusive em parceria com o Saúde Fila Zero, que tem feito exames e consultas. Reconheço que as pessoas ainda não sentiram a diferença, com exceção de quem saiu da fila. Realmente, no dia a dia, esse trabalho ainda não foi identificado.

A secretária de Saúde, Ana Paula Peña Dias, pediu afastamento temporário. Ela volta? Haverá mudanças na secretaria?
Volta! O afastamento é uma questão particular e familiar dela, que já existia antes mesmo de ela assumir o compromisso com a gente. O trabalho é muito intenso. A gente entende que há expectativa de carência com relação a essa área. As pessoas têm razão em reclamar. Em 10 meses, não conseguimos fazer com que as pessoas percebam a diferença. Mas a gente tem confiança que a partir de 2018, com o Qualisaúde, vamos imprimir uma nova referencia de qualidade na saúde pública de Santo André. 

 

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