PM do Rio tem deficit de psicólogos para atender policiais

Por Natashi Franco - Band
PMs cariocas vivem rotina de conflito e não têm atendimento | Reprodução/Band
PM do Rio tem deficit de psicólogos para atender policiais

“São situações de conflito. Carregar o companheiro baleado, levar para o hospital e volta que o serviço não pode parar. Nenhum policial militar carioca é 100% são da cabeça”. O relato do policial, que pediu para ter a identidade preservada, é o retrato de uma tropa em busca de ajuda. Só no ano passado, 1.396 PMs foram afastados das ruas por problemas psiquiátricos.

O número poderia ser bem maior, segundo parentes dos agentes e médicos. É que hoje apenas 90 psicólogos fazem parte do quadro de funcionários da Polícia Militar do Rio. Eles são responsáveis por atender os cerca de 46 mil policiais da corporação. Isso sem falar em psiquiatras, que poderiam medicar e tratar esses agentes, mas não há nenhum.

A PM afirma que possui programas de saúde preventiva e de análise global para avaliar a situação da tropa, mas, no próprio hospital da corporação, no Estácio, na zona norte, é possível constatar outra realidade. São apenas três atendimentos realizados em um único dia da semana. Com uma câmera escondida, uma equipe da Band acompanhou parentes de um agente em busca de ajuda. “A triagem é toda segunda-feira, a partir das 8h. São três pessoas que a gente atende. É bom chegar um pouco antes das 8h”, diz a funcionária.

Rogéria Quaresma, coordenadora do programa Sangue Azul e parente de PM, conta que alguns agentes chegam a ter surtos por conta do alto nível de estresse: “São policiais que agridem esposas, que tentam se matar, são histórias tristes. Esse homem tem esse surto, essa crise e, no dia seguinte, tem que botar a farda e trabalhar.”

Com a falta de atendimento no hospital da PM, os agentes acabam buscando ajuda em clínicas particulares. Durante as consultas, os médicos se deparam com grave situação: a maioria deles nem deveria estar nas ruas. “A maior parte acaba sendo afastada. O estresse é tão alto que eles não têm condições de portar uma arma de fogo”, afirma a neurologista e psiquiatra Leila Carla de Carvalho, que chega a atender quatro PMs por semana.

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