Eleitorado jovem é o menor desde a redemocratização

Por Lucas Morais - Metro Belo Horizonte
Elza Fiúza/ABr
Eleitorado jovem é o menor desde a redemocratização

Os efeitos das delações premiadas e das denúncias de corrupção que abalaram Brasília não ficaram restritos à classe política. A insatisfação cada vez maior dos brasileiros – pesquisa do Instituto Ipsos apontou que 94% não acreditam que quem está no poder represente a sociedade – também repercute entre os mais jovens. Dados do TRE-MG (Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais) mostram que o eleitorado de 16 e 17 anos encolheu mais de 53% na comparação com o ano passado. Em 2016, eram 259 mil pessoas, contra 120 mil registrados até setembro deste ano.

Há pouco mais de seis meses para o fim do alistamento eleitoral, o número, que é o menor desde a redemocratização, pode subir. Mas, como o voto nessa faixa etária é facultativo, cientistas políticos acreditam que pouca coisa deve mudar. Para a professora da Faculdade de Ciências Humanas e Filosofia da UFMG, Helcimara Telles, as suspeitas de recebimento de propina até por parte do presidente da República e a sensação de impunidade explicam o descontentamento. “É algo muito negativo para a democracia, uma vez que ela é sustentada justamente pelos partidos. No ano passado, os votos nulos e as abstenções foram superiores a muitos candidatos que venceram o pleito”, comparou. O pesquisador do Centro de Estudos Legislativos da Universidade, Lucas Cunha, afirma que o fenômeno é global. “Nem sempre é sinônimo de apatia, mas também por não confiarem e legitimarem o sistema político”, explicou.

Na contramão das estatísticas, a estudante Lívia Morais, de 15 anos, acredita que o voto tem força e a política precisa cada vez mais das pessoas. “Não podemos desacreditar. Na minha sala, por exemplo, vejo muito desinteresse. A maioria acha que é desnecessário e sem importância e só vai votar quando for obrigatório”, disse.

TRE faz campanha nas escolas

O diretor da Escola Judiciária Eleitoral do TRE-MG, Luís Fernando Benfatti, reconheceu o afastamento dos adolescentes da política, mas disse que essas oscilações são naturais. “Geralmente nas eleições gerais [para presidente e governador] cai a procura, diferentemente das municipais. Esses fatos [denúncias de corrupção] podem diminuir o número de jovens eleitores, mas temos que mostrar que o processo é legítimo”, contou.

E durante a Semana Nacional do Jovem Eleitor, que acontece até a próxima sexta-feira na capital, o órgão promove palestras, debates e distribuição de materiais nas escolas. Além disso, os alunos também vão visitar o Centro de Memória Eleitoral e participar do cadastramento com biometria. “Quanto antes o fizer, melhor para evitar filas”. Quem tiver dúvidas, pode entrar em contato com Disque Eleitor, através do 148.  

arte Arte / Metro Jornal
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