Detran implanta grupo de combate à corrupção no Rio de Janeiro

Força-tarefa, com delegado e PMs, e central de monitoramento vão ajudar a fiscalizar funcionários e maus motoristas nos postos

Por Renata Machado - Metro Jornal Rio de Janeiro
Posto na Barra da Tijuca já começou a receber a equipe do Detran Conduta - Divulgação/ Sebastião Gomes/Detran-RJ
Detran implanta grupo de combate à corrupção no Rio de Janeiro

O Detran-RJ resolveu jogar pesado para combater os casos de corrupção, o trabalho malfeito e o mau atendimento nos mais de 400 postos de atendimento do Departamento de Trânsito do Estado. Para reduzir o número de irregularidades que chegam a 52 denúncias, em média, só na ouvidoria – sem contar as reclamações que não chegam a ser oficializadas -, o órgão criou o Detran Conduta, que vai fiscalizar o dia a dia do trabalho dos 9,6 mil funcionários para avaliar a abordagem aos cidadãos e, principalmente, ficar de olho em práticas de corrupção, tanto de servidores, quanto de motoristas.

O projeto começou a ser testado no dia 21, quando cinco equipes, formadas por policiais militares e funcionários, já iniciaram as blitze e inserções nos postos de vistoria, que serão os primeiros por serem o maior foco do problema. O Detran Conduta começa para valer a partir de dezembro, quando as equipes terão ajuda da tecnologia. Até lá, câmeras serão instaladas em todos os 52 postos de vistoria. Os equipamentos ficarão ligados a uma central de monitoramento, que está sendo montada no prédio do Detran, na av. Presidente Vargas, no Centro. Quando totalmente implantado, o programa vai custar R$ 200 mil ao mês.

Da central, policiais vão monitorar imagens dos postos. O presidente do Detran, Vinícius Farah, idealizador do projeto, terá uma minicentral em sua sala. Segundo ele, acabar com os problemas será impossível, mas a meta é reduzi-los consideravelmente. “Não vamos conseguir zerar os problemas porque não mudamos o caráter e a índole das pessoas, mas não tenho a menor dúvida de que, com um projeto com essa amplitude, vamos ter uma diminuição considerável nos números que incomodam muito. É por tudo: mau atendimento, funcionário não solícito, negando informações, mas também pedido de propina e vendendo dificuldades para poder ganhar facilidades com acerto financeiro. Vamos dar uma resposta à sociedade com ações”, conta Farah.

Para isso, a corregedoria foi unificada à ouvidoria. Juntas, a agora equipe do Detran Conduta tem 57 profissionais (entre eles, delegado, três policiais civis e 18 PMs). “O projeto consiste em acompanhar a maneira como o servidor trata o contribuinte, tendo como foco também, óbvio, minimizar a corrupção”, explicou o presidente do órgão.

Para deixar o cidadão mais confiante para denunciar, o programa terá canais de comunicação específicos, através do site do órgão, de um telefone e e-mail, além de um aplicativo. Através deles, as pessoas poderão fazer denúncias, reclamações e avaliações, inclusive as positivas.

Os motoristas também serão avaliados. Aquele que se apresentar para corromper e for flagrado pelas câmeras, pelo próprio fiscal que não se corromper ou pelos policiais, será preso. “Não dá para colocar toda a responsabilidade apenas no funcionário do Detran. Tem quem pague R$ 50 só para passar o carro na frente”, exemplifica.

No ano que vem, o programa será ampliado para que todos os 400 postos de atendimento também recebam câmeras para serem igualmente fiscalizados. Nessa segunda fase, a meta é dobrar o número de equipes nas ruas.

Parceria com o MP para investigar denunciados
O Detran fez convênio com o Ministério Público para que o órgão participe das investigações assim que os crimes sejam descobertos ou denunciados. Os funcionários que forem flagrados, dependendo da gravidade, serão imediatamente afastados até que a investigação seja concluída. De acordo com o presidente Vinícius Farah, ninguém será punido da noite para o dia sem ter direito de defesa. Mas, se houver flagrante ou se a infração estiver materializada, os servidores serão demitidos e substituídos. Funcionários terceirizados serão exonerados na mesma hora. “Todos aqueles que forem denunciados serão investigados, com o envolvimento das polícias Civil e Militar e do MP”, explica.

Farah frisa que a corregedoria do Detran sempre investigou denúncias e que, desde que assumiu a presidência, em fevereiro, 68 colaboradores foram exonerados. “Como as infrações têm aumentado, o Detran Conduta é para termos estrutura maior, dando resposta mais abrangente e rápida”, diz.   

 

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