Justiça tenta acordo para invasão na Grande São Paulo

Por Metro Jornal ABC
Sem-teto fizeram ontem protesto pelas ruas de São Bernardo | Alessandro Valle/ABCDigipress
Justiça tenta acordo para invasão na Grande São Paulo

Diante do grande crescimento da invasão de sem-teto em São Bernardo, a Justiça vai tentar acordo com os manifestantes em reunião marcada para as 15h desta sexta-feira. Também devem participar do encontro representantes da construtora MZM, proprietária do terreno próximo à avenida José Odorizzi, no bairro Planalto, além do promotor de Justiça da Infância e da Juventude e de membros do conselho tutelar.

A decisão é do juiz da 7ª Vara Cível de São Bernardo, Fernando de Oliveira Domingues Ladeira, que já havia determinado desocupação da área na quarta-feira passada, no prazo de 72 horas, autorizando inclusive força policial e arrombamento.

Mas o juiz foi alertado pelo oficial de Justiça Francisco Ribeiro da impossibilidade do cumprimento da decisão ante a necessidade de estudos prévios da Polícia Militar. Ele solicitou também outros oficiais em seu auxílio, de acordo com despachos sobre o processo publicados ontem no site do Tribunal de Justiça. Ladeiro convocou outros 20 profissionais para a ação.

A ocupação, que começou no dia 1º com 500 famílias, já alcança cerca de 7 mil, de acordo com informações do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto), que organiza o acampamento. 

Além do oficial de Justiça, o juiz foi procurado também pela Polícia Militar, que em reunião ontem pediu mais esclarecimentos sobre reintegração de posse com número elevado de invasores.

Manifestação

Parte dos ocupantes do terreno do bairro Planalto realizaram ontem caminhada até a prefeitura, no Paço Municipal. De acordo com a Polícia Militar, cerca de 4 mil pessoas participaram da manifestação.

Três faixas da praça Samuel Sabatini foram ocupadas no trecho próximo à rua Jurubatuba por volta das 16h20. A liberação ocorreu apenas às 18h, complicando o trânsito também em vias próximas, como a avenida Lucas Nogueira Garcez.

Um grupo de manifestantes, liderado pelo coordenador nacional do MTST, Guilherme Boulos, foi recebido na prefeitura pelo secretário de Assuntos Jurídicos, José Carlos Pagliuca.

Boulos criticou a ausência do prefeito Orlando Morando (PSDB). “O prefeito não estava. Mandou o secretário de Assuntos Jurídicos para ser despachante dele e ficar falando que vai levar ao prefeito (as reivindicações).”

A prefeitura informou que Morando participava de reunião na sede da Secretaria de Transportes Metropolitanos, na capital. Em nota, a gestão municipal disse que não concorda com a invasão e que esclareceu ao MTST durante a reunião que o direito a moradia na cidade dá prioridade a 1.980 famílias já cadastradas no Bolsa Aluguel.

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