Sem acordo, ocupação do MTST em São Bernardo ganha corpo

Por METRO ABC
Terreno fica no bairro Planalto, próximo à Scania - alessandro valle/abcdigipress
Sem acordo, ocupação do MTST em São Bernardo ganha corpo

Mesmo com ordem judicial para desocupação, o MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto) diz que não irá sair do terreno particular próximo à avenida José Odorizzi, no bairro Planalto, em São Bernardo, que foi ocupado pelo grupo  no dia 1º deste mês. Diante do impasse, o número de pessoas no local só cresce.

A direção do movimento diz que são cerca de 7 mil famílias instaladas na área. Em nota, a prefeitura informou que houve “aumento significativo de invasores que montaram barracas de lona na quase totalidade do terreno”. 

A reintegração de posse foi autorizada pela 7ª Vara Cível de São Bernardo na última quarta-feira após pedido da MZM Incorporação, dona da área. A decisão judicial deu  prazo de 72 horas para que os invasores  deixassem o local de forma voluntária, o que não aconteceu. O MTST diz que entrou com recurso na Justiça para tentar reverter a situação.

No despacho, o juiz Fernando de Oliveira Domingues Ladeira rebateu a informação dada pelo movimento. “A ausência de construção não se confunde com abandono, sendo conceitos absolutamente distintos.”

Agora, a desocupação do terreno está nas mãos da Polícia Militar. Na decisão, o juiz diz que enviou ofício ao comando da corporação na região solicitando apoio à ação do cumprimento da ordem judicial. “Defiro (aceito), se necessário, força policial, arrombamento”, diz trecho do documento.

“Até o momento não há data marcada para a realização da reintegração de posse pelo juízo”, afirma a  Polícia Militar em nota. A corporação diz ainda que previamente haverá uma reunião com os demais órgãos envolvidos para planejamento da operação.

A Prefeitura de São Bernardo afirmou que a decisão da Justiça “será atendida e colaborada pela administração em todos os requisitos”.

A coordenadora estadual do MTST, Andreia Barbosa Silva, 34 anos, justifica a ocupação com a alegação de que o terreno está abandonado há pelo menos 30 anos. “Não queremos criar outra favela. Por não ter uso social, queremos que a área seja indicada para o programa Minha Casa Minha Vida Entidades (do governo federal)”, explicou. O movimento promete realizar manifestação hoje à tarde na sede da prefeitura para “cobrar diálogo” com o prefeito Orlando Morando (PSDB).

Sonho da casa própria

Desempregados, o casal David Gonçalves, 30 anos, e Helena Araújo, 27 anos, estão há trê dias na ocupação. “Moramos de favor e estamos buscando o sonho de ter  nossa casa. A situação de desespero é difícil”, disse Gonçalves.  

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