Banheiro na Universidade Federal do ABC agora será por identidade de gênero

Por Metro ABC
A estudante Virgína Guitzel, de 24 anos, é trans e participa da coordenação do coletivo - Alessandro Valle/Abcdigipress
Banheiro na Universidade Federal do ABC agora será por identidade de gênero

A UFABC (Universidade Federal do ABC) implantou uma medida inovadora na região quanto a inclusão e o respeito à diversidade de gênero. A partir deste mês, estudantes, trabalhadores, professores e frequentadores da instituição de ensino estão autorizados a usar os banheiros e vestiários do equipamento educacional de acordo com o gênero que se reconhecem, e não somente conforme o sexo biológico. Ou seja, uma mulher transexual, que biologicamente nasceu homem, poderá utilizar os banheiros femininos. É a primeira universidade do ABC a adotar tal iniciativa. Também não existe ações semelhantes em prédios públicos municipais.

A medida foi divulgada no dia 31 do mês passado, no boletim de serviços da universidade, após ser discutida e aprovada em audiência pública e na CPAF (Comissão de Políticas Afirmativas), órgão instituído pelo Conselho Universitário. A ação foi baseada na lei estadual 10.948, de 2001, que trata de penalidades a serem aplicadas à prática de discriminação em razão de orientação sexual.

A reitoria informou que futuramente as placas dos banheiros de ambos os campus, em São Bernardo e Santo André, vão ser alteradas para facilitar o reconhecimento da iniciativa. A instalação dos avisos ainda não tem data para ser iniciada.

A discussão sobre o assunto teve início na metade do ano passado, depois que uma trabalhadora transexual do setor de limpeza foi proibida de entrar no banheiro feminino tanto para utilizar quanto para limpar o ambiente, segundo o coletivo LGBT Prisma UFABC, formado por alunos da universidade e pessoas da comunidade local. Após o ocorrido, uma série de manifestações se iniciou em prol da funcionária, que foi demitida. Procurada pela reportagem, ela preferiu não se pronunciar.

A estudante Virgínia Guitzel, 24 anos, é trans e participa da coordenação do coletivo. “A luta não começa e nem termina aqui. Queremos as placas e a nossa segurança. A força do coletivo apontou o caminho. O Brasil é o país que mais assassina pessoas trans, e isso não é discutido. Não se isola a questão dos banheiros. Temos que discutir nossa sobrevivência”, afirmou.

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Discussão sobre gênero está em alta na mídia
A discussão sobre gênero e pessoas trans está em alta atualmente na mídia brasileira. Dois casos se destacam nesse tema, que carrega debates sobre diversidade e aceitação.

São eles a história da personagem Ivana – que se assume Ivan – um transgênero da novela “A Força do Querer”, da TV Globo, e da cantora drag queen Pabllo Vittar, que ganhou destaque nacional  após parceria com Anitta.

O primeiro caso chama a atenção por ocupar o horário nobre da programação de um dos principais canais de TV aberta.  A personagem, vivida pela atriz Carol Duarte, sofre com a não aceitação da família ao se assumir transgênero e passar a ter o nome social Ivan, além de tomar hormônios masculinos, que engrossam a voz e desenvolvem barba na personagem.

Já a cantora Pabllo Vittar  afirmou recentemente em entrevista ao jornal O Globo que não se sente transexual e se considera um homem homossexual. “Amo meu corpo, não tenho problema com minha identidade de gênero e sou feliz do jeito que sou. Só me sinto mulher quando estou montada”, disse.  Recentemente, Pabllo teve seu canal do YouTube invadido e alterado.
Medida pode ser ‘copiada’ por outras universidades
A UFABC foi a primeira universidade a discutir e permitir o uso do banheiro de acordo com a identidade de gênero no ABC. E a ação poderá ser seguida por outras instituições de ensino. É o caso da Faculdade de Direito de São Bernardo. Após a liberação na federal da região, o centro acadêmico da faculdade protocolou um ofício para que a medida fosse implantada pela direção do equipamento público.

A coordenadora do centro acadêmico Beatriz Carvalho da Silva, de 20 anos, disse que a organização está enfrentando empecilhos para a aprovação. “Estão enrolando para autorizar e regulamentar”, afirmou.

Em nota, o diretor da faculdade, professor Rodrigo Gago, disse que “a faculdade está atenta a essa questão e tratará do tema com toda a sua comunidade acadêmica”.

Em maio deste ano, a Secretaria da Educação do Estado recomendou que todos os alunos transgêneros – cerca de 365 – das escolas estaduais utilizassem o banheiro de acordo com o gênero com que se identificam, baseados na lei 10.948, de 2001.

A USCS (Universidade Municipal de São Caetano) e o Centro Universitário FEI informaram que continuam com o uso de acordo com o sexo biológico. As demais universidades da região foram procuradas, mas não retornaram até a conclusão desta edição. A Prefeitura de Santo André informou que segue os padrões normativos. Já as prefeituras de São Caetano e São Bernardo não se pronunciaram.

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