Saneamento em Santo André é citado na Lava Jato

Grana alega que não houve ilegalidade | t/iago silva/arquivo metro
Saneamento em Santo André é citado na Lava Jato
Por: Cadu Proieti - Metro ABC

Delações feitas à Polícia Federal no âmbito da operação Lava Jato no fim do ano passado apontam que a Odebrecht investiu em duas campanhas à Prefeitura de Santo André em 2012 com o objetivo de ganhar a licitação para privatização de serviços de saneamento básico na cidade, que atualmente são operados pelo Semasa (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André).

A informação foi divulgada pelo jornal “O Estado de São Paulo”, que publicou vídeos de duas delações em seu site anteontem.

Em um deles, o ex-executivo da Odebrecht Ambiental Guilherme Paschoal diz que a empresa repassou R$ 500 mil, de forma oficial e declarada, para Carlos Grana (PT), que venceu a eleição naquele ano, e R$ 400 mil, via caixa 2, a Nilson Bonome (PMDB), que terminou o pleito de 2012 na quarta colocação, mas era visto pela empresa como um político influente no ABC e poderia facilitar negócios pela região, segundo a delação. 

Paschoal afirmou na delação que teve um encontro com Grana em um restaurante da capital antes das eleições daquele ano, onde apresentou a intenção da empresa em colaborar financeiramente com a campanha e de elaborar um projeto para gerir o saneamento básico da cidade por  meio de uma MIP (Manifestação de Interesse Privado). Paschoal alega no depoimento, porém, que o investimento na campanha não teria relações com o desenvolvimento do projeto para o município.

Segundo a delação, depois de eleito o petista autorizou a elaboração de estudos em novembro de 2013.  Em agosto do mesmo ano, a empresa  entregou a MIP ao Semasa. Em novembro também de 2013, a prefeitura liberou a realização de estudos técnicos e econômicos, que foram todos arcados pela Odebrecht.  O projeto
foi aprovado pelo conselho gestor do município em 14 de fevereiro de 2015. “No final, definiu-se por uma PPP (Parceria Público-Privada) para redução de perdas de água”, disse Paschoal no depoimento. 

A licitação foi aberta em outubro de 2015 e terminou com a Odebrecht como vencedora, em novembro do ano passado, mas o contrato não foi validado porque Grana optou por deixar a decisão de assinar a PPP para Paulinho Serra (PSDB), que foi eleito prefeito e assumiu o Executivo em janeiro deste ano.

A atual administração municipal informou ontem que vai rejeitar o processo de privatização da água e esgoto para a Odebrecht Ambiental. “Não acreditamos nesse sistema de gestão”, disse Paulinho.

Ao Metro Jornal, Grana alegou que não houve ilegalidade nas ações. “Em 2012, era permitido contribuição empresarial nas campanhas. O Grupo Odebrecht fez contribuição pelo PT nacional. Recebemos isso legalmente via partido, está dentro da prestação de contas. No
meu encontro com ele, eu disse que só aceitaria se fosse contribuição oficial.”

Em relação ao projeto de privatização da distribuição de água na cidade, o petista afirmou que continua a achar que seria “algo bom” para a cidade.  “Seria um investimento novo para o município. Transcorreu de forma legal, mas não houve tempo para ser consolidado. A decisão final ficou para o novo governo”, disse Grana. “Tenho o maior prazer de esclarecer esse assunto de forma transparente”, completou.

A reportagem não conseguiu contato com Bonome até a conclusão desta edição.

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