Vitrine de Doria, zeladoria tem alta nas reclamações

Por Eliane Quinalia
Fernando Pereira/ Secom
Vitrine de Doria, zeladoria tem alta nas reclamações

No primeiro dia útil de seu governo, o prefeito João Doria (PSDB) acordou cedo, vestiu-se de gari, pegou na vassoura e – como Lulu Bergantim do conto de José Cândido de Carvalho – anunciou que era hora de limpar a cidade e prometeu correr os quatro cantos em ações de zeladoria. Depois deste que foi o lan- çamento do Cidade Linda, programa de revitalização de avenidas e seus entornos que ocorre todo fim de semana, vieram o Calçada Nova (autoexplicativo) e um mutirão para tapar buracos de rua, anunciado em março.

Cinco meses depois de sua posse, porém, são os problemas de zeladoria, que a sua gestão prometeu atacar como prioridade, que mais cresceram em reclamações na Ouvidoria.

De janeiro a maio, as queixas sobre buracos de rua passaram de 31 para 373 – aumento de mais de 1.000%. Sobre podas de árvores, o total de registros subiu de 12 para 253 e o de capinação, de 20 para 155. Em percentual, o maior crescimento é o de reclamações sobre calçadas, que passou de uma única queixa em janeiro para 62 em maio – alta de 6.100%.

As demandas de varrição foram as que cresceram menos, 335%: de 14 para 61. A Ouvidoria é como uma segunda instância. Nos casos de zeladoria, os registros são de protocolos abertos por moradores que não tiveram seus pedidos atendidos pela respectiva prefeitura regional e buscaram o órgão para reclamar.

O Metro Jornal pediu que seus leitores se manifestassem pelas redes sociais sobre as condições de zeladoria da cidade e ouviu queixas de moradores de diferentes bairros e apenas um elogio.

Em reportagens no início do mês, o Metro Jornal mostrou problemas com buracos e calçadas na cidade, como uma vala na esquina da avenida Paulista com a rua da Consolação, que está aberta há seis meses. Professor de ciência polí- tica do Mackenzie, Rogério Baptistini afirmou que “a cidade sofre processo histórico de degradação, agravado pelo cenário econômico” e que a bandeira da zeladoria erguida por Doria é legítima.

“Mas o prefeito não tinha a dimensão da dinâmica da administração pública, que envolve conhecimento da lei e poder de negociação. O tempo de resolução é diferente do que o da iniciativa privada e ele está aprendendo isso pela dor, como no embate com os grafiteiros e nas ações da Cracolândia.”

arte doria

Nem tudo é queixa e falta dinheiro, diz prefeitura

Questionada sobre o aumento das manifestações na Ouvidoria, a prefeitura afirmou que as chuvas têm prejudicado ações de zeladoria e que falta dinheiro para garantir atendimento mais ágil, mas ponderou que nem “todas as ligações se referirem a reclamações”. A Ouvidoria também registra elogios, mas estes caíram de 22, em janeiro, para 14, em maio: queda de 36%, segundo levantamento do Metro Jornal nas planilhas divulgadas no site da Ouvidoria e que serviram de base para a reportagem. A gestão Doria afirmou que assumiu com demanda represada de serviços não atendidos e que já choveu 15% acima do previsto entre janeiro e maio, o “que amplia a degradação do pavimento”. Além disso, diz que “herdou Orçamento deficitá- rio que inviabiliza o aporte de recursos para o atendimento dos pedidos com maior celeridade”.

 

 

Loading...
Revisa el siguiente artículo