Sem dinheiro, Prefeitura de BH paralisa implantação de ciclofaixas

Fábio Arantes / Secom
Sem dinheiro, Prefeitura de BH paralisa implantação de ciclofaixas
Por: Lucas Morais - Metro Jornal Belo Horizonte

Do Padre Eustáquio, na região Noroeste de Belo Horizonte, até a avenida Afonso Pena, no Hipercentro, são pouco mais de cinco quilômetros. E para quem vai de bicicleta, ciclovias apenas na avenida Tereza Cristina e na rua Padre Belchior. É esse o trajeto que Luiz Carlos de Oliveira costuma fazer utilizando o meio de transporte. Sem se preocupar com os congestionamentos e os gargalos corriqueiros nas vias, o artista plástico não gasta nem 30 minutos para chegar ao destino. Porém, o tempo seria ainda menor se existissem mais faixas exclusivas na cidade. Até 2020, a promessa da BHTrans é entregar 400 km de ciclovias. Hoje, existem pouco mais de 87 km, menos de 22% do total pretendido.

“Geralmente, as que existem são boas e bem sinalizadas, mas algumas têm buracos, como na rua Alvarenga Peixoto. No trajeto que uso não são integradas. Algumas terminam perto uma da outra, mas você deve pedalar um trajeto sem até acessar a outra”, contou Luiz Carlos. E não há previsão de novas obras: conforme a empresa, os investimentos estão parados por falta de repasses do PAC Mobilidade, do governo federal.

Para o professor do Departamento de Transportes da Escola de Engenharia da UFMG, Dimas Alberto Gazolla, não são necessários tantos recursos para realizar a construção e integração das faixas exclusivas para bicicletas. “O custo é infinitamente menor que qualquer outro meio de transporte. E nessa fase que não vai ter recurso nenhum para expandir o metrô e outros modais, a cidade poderia aumentar rapidamente a malha cicloviária com pouco investimento e dar mais condições para crescimento da frota de bicicletas”, explicou.

De acordo com o especialista, assim como qualquer outro meio de transporte, as ciclovias precisam ter um começo, meio e fim, além de sinalização especial, bicicletários, pontos com bebedouros, vestiários e equipamentos de apoio. “No caso brasileiro, por questões de renda, é necessário ainda disponibilizar uma frota pública de bicicletas, que possa ser acessada com um cartão magnético, parecido com os dos ônibus”, acrescentou.

Além de economizar dinheiro, Luiz Carlos comentou que muitas vezes reduz o tempo de deslocamento usando a bicicleta. “Eu também acabo me divertindo mais durante o trajeto, chegando, na maior parte das vezes, com mais disposição ao lugar de destino”, disse.

Ritmo lento

Nos últimos dois anos, a BHTrans entregou pouco mais de 17 km de faixas para bicicletas, uma média de 8,7 km por ano. Se continuar nesse ritmo, a meta só seria alcançada em 35 anos. “O maior erro da empresa é a execução das obras de implantação das ciclovias de maneira totalmente aleatória. Se tivesse priorizado algumas áreas e concluído toda a malha daquela regional, partiria posteriormente para outras e hoje teríamos alguns trechos contínuos. Esses pedaços isolados que existem acabam desestimulando o uso e fazem com que as pessoas as vejam como ineficientes”, apontou.

Segundo a BHTrans, a criação do Pedala BH criou facilidades para quem opta por esse meio de transporte e, através do programa, ainda serão implantados bicicletários. A expectativa é de que 6% dos deslocamentos na capital sejam realizados pela bicicleta até 2020.

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