Secretário diz que casas de São Paulo têm que ter caixa d’água

Por Tercio Braga
Mauro Arce em depoimento à CPI | Luiz Carlos Murauskas/Folhapress Mauro Arce em depoimento à CPI | Luiz Carlos Murauskas/Folhapress

O secretário estadual de Saneamento e Recursos Hídricos, Mauro Arce, afirmou nesta quarta-feira que o consumidor de São Paulo deveria ter uma caixa de água para  “armazenar o recurso por um período de 24 horas”. A declaração foi dada em depoimento à CPI da Sabesp.

De acordo com o secretário, a medida é uma norma da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), e a falta de água em alguns bairros acontece justamente por conta da ausência de reservatórios.

Arce explicou que a falta de caixas de água foi percebida durante visitas da Sabesp a pontos da cidade onde há queixas de interrupção no abastecimento. O secretário, assim como o governador e a Sabesp já haviam feito anteriormente, negou racionamento e afirmou que ocorre apenas uma redução da pressão entre a noite e a madrugada. E a medida será mantida, mesmo após fim da crise. “É uma atuação técnica permanente e não começou agora, começou em 2008, é usada no mundo inteiro”, afirmou Arce.

De acordo com a Sabesp, a medida é responsável pela falta de água nas casas localizadas em áreas muito altas ou distantes. Em pesquisa realizada pelo Datafolha em outubro, 60% dos paulistanos disseram ter sofrido com a falta de água ao menos uma vez num intervalo de 30 dias.

A Sabesp afirma que a redução evita desperdício de água em buracos nos ramais de abastecimento e gera economia.

Sabesp vai captar segunda cota do Cantareira sábado

O superintendente do DAEE (Departamento de Águas e Energia Elétrica), Alceu Segamarchi Júnior, que também participou da CPI, disse que recebeu anteontem documento da Sabesp informando que a companhia começará a usar a segunda cota do volume morto a partir de sábado.

“Falta decidir quais são os limites para o mês de novembro e isso a gente está definindo ao longo desta semana”, afirmou Alceu. Ele disse que a Sabesp já possui aval da ANA (Agência Nacional de Águas) para usar a reserva técnica. A companhia já inclui os 10,7% da segunda cota na medição do índice de armazenamento do Cantareira. Sem o valor, o nível registrado ontem seria de apenas 0,3%.

No depoimento na Câmara, o secretário Arce afirmou que a segunda cota começará a ser captada na próxima semana e negou que parte do volume já tenha sido utilizada, como havia denunciado a ANA em outubro, após baixa na represa Atibainha. De acordo com Arce, isso é assunto da Sabesp e do DAEE.

Reservas técnicas recuperam volume até abril, diz Arce

Arce afirmou durante o depoimento que, caso chova a média esperada para os próximos meses, as duas reservas técnicas devem estar cheias novamente em abril.  O vereador Nabil Bonduki (PT) rebateu dizendo que, segundo estudos da USP, essa quantidade não seria suficiente para recuperar os reservatórios. Arce disse que “isso é uma questão de conta”.

O superintendente do DAEE, Alceu Segamarchi Júnior, disse que, se chover 70% da média história dos últimos anos, o Cantareira vai recuperar o seu volume morto e ainda terá 10% do volume útil.

De acordo com Segamarchi, o nível é uma exigência da ANA (Agência Nacional de Águas) e se tornou meta para o governo do Estado.

Em 30 de abril deste ano, antes do início da captação da primeira reserva técnica, o sistema operava com 10,7%. Um ano antes, o nível era de 62,8%. 

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