Agência europeia divulga foto panorâmica do cometa e melodia captada por robô

Por Tercio Braga
Primeira foto panorâmica do cometa visitado pela sonda Rosetta | Divulgação/ESA Primeira foto panorâmica do cometa visitado pela sonda Rosetta (clique para ampliar) | Divulgação/ESA

O robô europeu Philae está “funcionando bem”, apesar do pouso acidentado que o deixou parcialmente fora do alcance do Sol, que alimenta suas baterias – informaram controladores de voo nesta quinta-feira.

Claramente aliviados, eles revelaram que, nas primeiras 24 horas após o pouso histórico, o laboratório tinha enviado para a Terra uma série de dados e imagens do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, de uma localização misteriosa.

Os novos dados demonstraram que o robô, do tamanho de uma lavadora de roupas, quicou duas vezes depois de seu pouso inicial na quarta-feira, provavelmente ficando em um terreno inclinado, com uma das pernas soltas.

Arpões deveriam ter prendido Philae ao cometa, que viaja rumo ao Sol a uma velocidade de 18 km/segundo. Os ganchos não se soltaram na manobra de precisão, realizada a 510 milhões de quilômetros da Terra.

Isso não impediu Philae de enviar dados preciosos à Terra, retransmitidos pela sonda Rosetta.

“Temos um melhor entendimento de como chegamos lá, mas ainda não sabemos exatamente onde”, afirmou o gerente encarregado do Philae, Stephan Ulamec, durante uma coletiva de imprensa transmitida por webcast, do controle de solo da missão da Agência Espacial Europeia (ESA) em Darmstadt, Alemanha.

“Nós podemos estar em algum lugar, na borda dessa cratera”, acrescentou, apontando para a superfície de uma fotografia onde fissuras profundas permanecem em sombras eternas.

“Estamos quase na vertical. Um pé provavelmente está no ar, e dois, na superfície do cometa”, acrescentou o cientista Jean-Pierre Bibring, que fez essa avaliação com base no ângulo das fotos tiradas por Philae.

As imagens foram as primeiras já tiradas da superfície de um cometa, um feito de destaque no projeto de US$ 1,6 bilhão (1,3 bilhão de euros).

Segundo Philippe Gaudon, da agência espacial francesa, CNES, 8 dos 10 instrumentos científicos a bordo do robô entraram em ação conforme o planejado, e o robô em si está “funcionando bem”.

Dados preliminares indicaram um salto, “um grande pulo”, segundo Ulamec, que durou cerca de duas horas e moveu o robô um quilômetro além do seu alvo, seguido de um segundo salto, desta vez menor.

Equipes em solo tiveram de lutar nesta quinta-feira com a possibilidade de que Philae possa ficar rapidamente sem eletricidade antes do esperado.

As baterias a bordo do robô de 100 quilos vão durar apenas cerca de 60 horas, mas ele também é dotado de painéis solares, que serviriam para recarregá-las.

No entanto, devido à sua incomum posição, Philae não estava recebendo luz solar suficiente, apenas 1,5 hora por dia, em vez das seis, ou sete necessárias.

“Agora, estamos calculando o que isso significa”, disse Ulamec.

É possível que Philae nunca seja capaz de usar sua perfuratriz, com a qual foi equipado para retirar amostras subsuperficiais do cometa e realizar testes químicos.

Tentar ativar a perfuratriz com o robô mal posicionado em um declive íngreme pode ser perigoso.

“Nós devemos apenas virar nosso robô”, frisou Ulamec, acrescentando que Philae possa não ter suficiente energia para “um salto para fora do buraco aonde possamos estar”.

Sucesso
A alegria, provocada nesta quarta-feira, pela confirmação do pouso, após uma descida de sete horas, logo virou preocupação, com as flutuações do sinal de rádio indicando que pudesse ter decolado.

Quando o contato foi restaurado nesta quinta-feira de manhã, depois de uma interrupção antecipada, “nós ficamos muito aliviados”, admitiu o gerente de operações da nave, Ignacio Tanko.

Especialistas da ESA ressaltaram nesta quinta-feira os feitos do Philae, a joia da coroa de um projeto que dura mais de 20 anos.

“Muitos dos instrumentos já realizaram o que se pretendia deles”, disse Bibring.

“O que é realmente impressionante não é o grau de fracasso, mas o grau de sucesso”, continuou.

A missão Rosetta visa a desvendar os segredos que os cometas, aglomerados primordiais de gelo e poeira, devem guardar sobre como o Sistema Solar se formou, cerca de 4,6 bilhões de anos atrás.

Alguns cientistas consideram que os cometas devem ter “semeado” a Terra com alguns dos ingredientes da vida.

Levando Philae “nas costas”, Rosetta foi lançada ao espaço em 2004 e alcançou seu alvo em agosto deste ano, usando o empuxo gravitacional da Terra e de Marte como um estilingue para aumentar sua velocidade.

Os dois percorreram uma distância de 6,5 bilhões de quilômetros juntos, antes da separação na quarta-feira, e da descida de 20 km de Philae.

O robô complementa 11 instrumentos a bordo de Rosetta, a sonda de três toneladas responsável pela maioria dos sucessos da missão.

O que quer que aconteça com Philae, Rosetta continuará a acompanhar o cometa à medida que ele se aproximar do Sol.

Em 13 de agosto de 2015, os dois estarão a 186 milhões de quilômetros da nossa principal estrela.

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