Relatora da ONU fala sobre reaproveitamento da água de esgoto em São Paulo

Por Carolina Santos
Água de esgoto começará a ser reaproveitada no Estado de São Paulo  | Joe Raedle/Getty Images Água de esgoto começará a ser reaproveitada no Estado de São Paulo | Joe Raedle/Getty Images

O reaproveitamento da água de esgoto deve ser uma realidade a partir do ano que vem no estado de São Paulo. A Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) anunciou que vai incluir o reuso na produção de água potável a partir de uma tecnologia de ponta, já empregada em países como Estados Unidos, Israel, Cingapura e outras nações da Europa.

Em entrevista à Bandnews FM, a relatora especial da ONU sobre o direito à Água e ao Saneamento, Catarina Albuquerque, reconhece que essa é uma tecnologia cara para países em desenvolvimento, mas destaca experiências bem sucedidas em outros países: “Eu já visitei estações de tratamento no Japão e eu bebi água que era de esgoto. A água é transparente e cristalina, com todos os padrões da Organização Mundial da Saúde”.

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Para o professor aposentado pela Escola Politécnica da USP (Universidade de São Paulo), especialista em hidráulica e saneamento, Julio Cerqueira César Neto, a medida é paliativa, mas pode amenizar a crise hídrica no curto e médio prazo. Apesar da falta de experiência nacional nesse tipo de reuso, ele acredita que é uma opção mais viável, por exemplo, do que a dessalinização, que é o tratamento da água do mar para o consumo.

Segundo a Sabesp, duas estações de tratamento serão construídas até o final do ano que vem, capazes de produzir 3 mil litros por segundo.

Serão utilizados reatores biológicos de membranas, que fazem uma ultrafiltração e têm capacidade para remover partículas sólidas com tamanho correspondente a um diâmetro, mil vezes menor do que um fio de cabelo. Depois será empregado o processo de osmose por foto-oxidação, que vai eliminar pequenas partículas, como bactérias e vírus.

Na última etapa de tratamento da água, segundo a Sabesp, o líquido será submetido a um processo de desinfecção, com emprego de radiação ultravioleta associada ao peróxido de hidrogênio. Depois, será lançado nas represas Guarapiranga e Isolina, em seguida, misturado à água acumulada pelas chuvas.

Então, a água será coletada e tratada novamente, passando pelo processo já usado tradicionalmente, e distribuída à população.

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