Tribunal de Justiça mantém nível de retirada de água do sistema Alto Tietê

Por Tercio Braga
Represa de Atibainha, do sistema Cantareira, em Nazaré Paulista | Gutemberg Gonçalves/Futura Press Represa de Atibainha, do sistema Cantareira, em Nazaré Paulista | Gutemberg Gonçalves/Futura Press

A Justiça de São Paulo negou nesta quinta-feira pedido de redução imediata na retirada de água do sistema Alto Tietê pela Sabesp. A ação foi apresentada pelo MP (Ministério Público).

A Promotoria solicitava,  em caráter liminar, a suspensão de uma portaria do DAEE autorizando a Sabesp a aumentar a captação de água de 10 mil para 15 mil litros por segundo.

Segundo  os promotores, o aumento na captação ocorreu com base em dados falsos, e colocou em risco a capacidade de abastecimento do reservatório.

Em sua decisão, o juiz Marcelo Sérgio, da 2ª Vara da Fazenda Pública, alegou que o pedido feito pelo MP “implicava em interferência do Poder Judiciário em atos de gestão da administração pública. Não vejo como esse ato possa ser impugnado.” O MP informou que irá recorrer da decisão na próxima semana.

Desde fevereiro, a Sabesp vem utilizando a água do Alto Tietê para atender moradores que eram abastecidos pelo Cantareira na capital e na Grande São Paulo. Nesta quinta, o sistema operava com 12,6% de sua capacidade.

Como resultado do aumento na captação de água do Alto Tietê, o nível das cinco represas que compõem o sistema, responsável pelo abastecimento de 4,5 milhões pessoas, caiu de 46,3%, no início do ano, para 6,8%, nesta quinta.

Campinas será abastecida com esgoto tratado e água de reúso

O município de Campinas, no interior, anunciou nesta quinta que será o primeiro município do país a usar esgoto tratado para abastecer a população.

A obra, estimada em R$ 12 milhões, será financiada pela concessionária que opera o aeroporto de Viracopos e deve ser entregue em 18 meses. O projeto, anunciado em meio à crise hídrica, prevê o despejo do esgoto tratado e transformado em água de reúso, que tem 99% de pureza, no rio Capivari.

A estiagem tem castigado, principalmente, os mananciais da Cantareira e do Alto Tietê | Nacho Doce/Reuters A estiagem tem castigado, principalmente, os mananciais da Cantareira e do Alto Tietê | Nacho Doce/Reuters

Ar seco mantém em baixa níveis de reservatórios em São Paulo

Com o clima seco dos últimos dias, os seis sistemas de captação e tratamento de água para abastecimento administrados pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) continuam com queda gradual nos níveis dos reservatórios. Segundo o Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (Cptec), o mês de novembro, que começa sábado (1), deve ter ocorrência de chuvas mais regulares.

A estiagem tem castigado, principalmente, os mananciais da Cantareira e do Alto Tietê. No último, de onde é retirada a água para fornecer a 4,5 milhões de pessoas, o volume em operação nesta quinta-feira (30) atingiu 7%, ou 0,2 ponto percentual abaixo da medição feita na quarta-feira (29). Faltando apenas um dia para encerrar o mês, o acumulado de chuva nesse sistema é 20,1 milímetros, ante a média histórica de 117,1 milímetros.

No Cantareira, o maior deles, que abastece uma população estimada em 6,5 milhões, o nível caiu de 12,7% na quarta-feira para 12,6% nesta quinta-feira. Essa marca inclui as duas reservas técnicas disponíveis, ou seja, o volume de água que fica abaixo da captação por gravidade. A primeira começou a ser bombeada no último dia 16 de maio e, nesta quinta-feira, ainda podiam ser retirados dela 20 bilhões de litros. Da última sexta-feira (24) até esta quinta-feira, foram gastos 8 bilhões de litros.

Segundo a Sabesp, a segunda cota incorporou ao sistema 105 bilhões de litros, que serão utilizados apenas quando se esgotar o volume da primeira cota. A volta da chuva sobre as nascentes do Cantareira, por enquanto, tem sido insuficiente para garantir a reposição da água perdida desde o último verão.

Choveu neste mês 15,4 milímetros, quantidade muito inferior aos 116,9 milímetros da média histórica, no Sistema Guarapiranga. O nível de operação baixou de 40,5% para 40,1% de quarta-feira para esta quinta-feira. Na mesma base de comparação, o nível do Sistema Alto Cotia caiu de 30,6% para 30,3% com o acumulado de chuva em 61 milímetros, quase a metade da média histórica (118,1 milímetros).

No Sistema Rio Grande, o nível passou de 69,8% para 69,4% e o volume de chuva atingiu 17,6 milímetros, ante 138,4 milímetros da média histórica. No sistema Rio Claro, o nível baixou de 45% para 44,2%. Nesse manancial, houve mais abundância de água do que nos outros seis, com 107,2 milímetros, ainda assim inferior à média (179,2 milímetros).

De acordo com o meteorologista Fábio Rocha, do Cptec, a chegada de umidade procedente da região amazônica e o encontro com o ar quente pode provocar pancadas de chuva com certa intensidade no próximo fim de semana no estado de São Paulo e sul de Minas Gerais, região onde estão localizadas algumas das nascentes que alimentam o Cantareira.

O meteorologista adverte, porém, que serão pancadas de curta duração e que podem ser localizadas. Ele informou que essas áreas de instabilidade se prolongarão até quarta-feira (5), quando está prevista a entrada de nova frente fria, cujos efeitos ainda não se pode prever.

O Instituto Nacional de Meteorologia informou que, de sexta-feira (31) a terça-feira (4), o tempo deve ficar abafado, com pancadas de chuva e trovoadas, especialmente no período da tarde.

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