Alckmin pede dinheiro a Dilma para combater crise hídrica

Por Nadia
Represa Jaguari/Jacareí, do sistema Cantareira | Moacyr Lopes Junior/Folhapress Represa Jaguari/Jacareí, do sistema Cantareira | Moacyr Lopes Junior/Folhapress

Três dias após o fim das eleições, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e a presidente reeleita, Dilma Rousseff (PT), resolveram baixar o tom das acusações sobre a responsabilidade pela crise hídrica que atinge o Estado de São Paulo.

Alckmin afirmou nesta quarta-feira que pedirá ao governo federal recursos financeiros e a desoneração de impostos para enfrentar a atual crise de desabastecimento. Segundo o tucano, o governo estadual já preparou um pacote com os pedidos. “Não tem terceiro turno. Nossa disposição é do diálogo, da cooperação. De trabalharmos juntos em benefício da população”, afirmou Alckmin.

Nesta terça, durante entrevista ao Jornal da Band, Dilma havia afirmado que ofereceu ajuda para ajudar a diminuir o problema no começo de 2014 e que teria contribuído com qualquer obra de emergência, mas que Alckmin não aceitou.

“Uma série de investimentos que deveriam ter sido feitos não foram”, disse a presidente.

O primeiro pleito citado pelo governador é a isenção do PIS e Cofins para empresas de saneamento básico.

“A presidente prometeu que faria isso há quatro anos. Só a Sabesp paga R$ 680 milhões de PIS e Cofins. Vamos conversar com ela. O governo federal sempre foi nosso grande parceiro.” Ele também defendeu  uma parceria para as obras de interligação do rio Jaguari, da bacia do Paraíba do Sul, com a represa do Atibainha, do sistema Cantareira.

Alckmin reclamou do ONS (Operador Nacional do Sistema) que, segundo ele, priorizou a geração de energia elétrica na represa do Jaguari, e não o fornecimento de água. Segundo ele, a represa poderia garantir mais 1,1 bilhão de m³ de água.

Reservatórios

Na terça, o nível do Cantareira caiu para 12,7%, já contabilizados os 106 bilhões de litros da segunda cota do volume morto. Os sistemas Alto Tietê e Guarapiranga caíram para 7% e 40,5%, respectivamente.

CPI quer saber quem vetou avisos sobre crise

O presidente da CPI da Sabesp na Câmara Municipal, Laércio Benko (PHS), afirmou que enviou ofício para a presidente da companhia, Dilma Pena, pedindo para que ela informe quem foi o superior que a orientou a não informar a população sobre a crise hídrica que atinge o Estado de São Paulo.

Em um áudio de uma reunião da cúpula da Sabesp, divulgado pela “Folha de S.Paulo”, Dilma afirmou que uma “orientação superior” impediu a empresa de alertar a população sobre a necessidade de economizar água.

Benko disse que irá pedir que o Ministério Público investigue a dirigente por prevaricação e improbidade administrativa.  Em nota, o governo de São Paulo disse que cabe à Sabesp esclarecer as circunstâncias e o sentido das declarações de Dilma Pena.

ONGs propõem 400 ações para aumentar economia

Um grupo formado por cerca de 30 ONGs criou uma lista com cerca de 400 sugestões de economia e medidas a serem tomadas pelo Estado durante a crise hídrica. Entre as propostas do projeto Aliança pela Água está a sugestão de uma multa para quem não economizar água e aviso prévio dos cortes de abastecimento.

O grupo também defende o incentivo a alternativas de economia, como uso de hidrômetros individualizados.

Termômetro marca 34ºC na avenida Paulista | J.Duran Machfee/Folhapress Termômetro marca 34ºC na avenida Paulista | J.Duran Machfee/Folhapress

Chuva chega na sexta, mas calor continua

A nebulosidade aumenta em todo o Estado a partir desta quinta-feira. Na sexta, pancadas de chuva e trovoadas podem atingir a capital, principalmente à tarde. Também há previsão de chuva no sábado e no domingo. Mesmo assim, as altas temperaturas continuam. Na quinta, os termômetros podem marcar 33oC, segundo o Inmet.

Na terça, a máxima foi de 31,7oC. A umidade relativa do ar ficou em torno dos 28%, segundo o CGE. A Defesa Civil decretou estado de atenção (entre 20% e 30%).

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