Alckmin divulga vídeo criticando o "uso político" da falta de água

Por Carolina Santos
Represa de Bragança Paulista, na Grande São Paulo | Luis Moura/Folhapress Represa de Bragança Paulista, na Grande São Paulo | Luis Moura/Folhapress

Em um vídeo que circula desde a noite desta terça-feira em grupos de WhatsApp (aplicativo de mensagens instantâneas de celular), o governador Geraldo Alckmin (PSDB) criticou uso político da crise hídrica do Estado na campanha eleitoral.

No vídeo, Alckmin diz que o momento de crise exige responsabilidade e solidariedade de todos frente à maior seca dos últimos 84 anos. “É lamentável que em um momento desses, onde há a necessidade de união de todos, alguns queiram tirar proveito político deste fato. Este não é o espírito de São Paulo”, disse.

Ele também afirmou que o governo está tomando todas as medidas para minimizar os efeitos da crise. Na quarta, o nível do sistema Cantareira, que abastece 6,5 milhões de consumidores na região metropolitana, caiu para 3,2%. “Estamos trabalhando, interligando os sistemas e investindo em obras e novos sistemas de abastecimento de água para a população.”

Alckmin ressaltou também a criação do novo bônus para quem economizar água, anunciado na terça pela Sabesp. O desconto será de 10%, para quem economizar de 10% a 15%, na comparação com a média de consumo dos últimos 12 meses. E de 15%, para quem reduzir o gasto entre 15% e 20%. O bônus ainda precisa ser aprovado pela Arsesp (agência reguladora de saneamento).

O vídeo foi divulgado no mesmo dia em que o presidente da ANA (Agência Nacional de Águas), Vicente Andreu, afirmou durante evento na Assembleia que o uso da segunda cota do volume morto do Cantareira é uma “pré-tragédia” e que, se não chover, a Sabesp terá de tirar água do lodo. A crise hídrica também foi usada na propaganda eleitoral da candidata do PT, Dilma Rousseff, para criticar a gestão do PSDB.

Prefeitura vai abrir 32 poços

Em meio à maior estiagem dos últimos 84 anos, a prefeitura decidiu abrir licitação para construir 32 poços artesianos.

O plano é buscar cerca de 57,6 milhões de litros de água por mês a até 250 metros abaixo do solo. O volume seria suficiente para abastecer 8 mil pessoas por mês. O recurso será usado para abastecer prontos-socorros, creches e asilos municipais.

Alto Tietê pode secar antes do Cantareira

Segundo maior manancial da Grande São Paulo, o Alto Tietê, pode ficar seco antes do Cantareira. O nível dos reservatórios que compõem o sistema atingiu ontem 8,5% da capacidade. Caso as chuvas não voltem, os reservatórios podem secar em menos de dois meses. No Cantareira, a previsão é de que a água dure até março.

Segundo a Sabesp, o Alto Tietê tem capacidade para 521 bilhões de litros. Na terça, as cinco barragens que formam o manancial localizado entre Salesópolis e Suzano somavam 44,3 bilhões de litros, quantidade que não chega à metade da segunda cota do volume morto do Cantareira, de 106 bilhões de litros. A Sabesp chegou a anunciar que iria captar água do volume morto do Alto Tietê. Mas o secretário estadual de Saneamento, Mauro Arce, negou que houvesse água abaixo do nível das comportas.

DAEE também libera uso da 2ª cota do volume morto

O DAEE (Departamento de Águas e Energia Elétrica) autorizou nesta quarta-feira a Sabesp a usar a segunda cota do volume morto do sistema Cantareira. Na última sexta-feira, a ANA (Agência Nacional de Águas) já havia liberado a utilização da reserva de 106 bilhões de litros de água.

Embora os dois órgãos reguladores tenham concordado, a Sabesp poderá começar a captação depois que ANA e DAEE aprovarem uma resolução para estabelecer a quantidade e a forma da retirada da água.

TCU

O TCU (Tribunal de Contas da União) anunciou  que vai investigar a atuação dos órgãos federais na crise hídrica. A proposta, feita pelo ministro André Luís de Carvalho, é fiscalizar se o Ministério do Meio Ambiente, ANA e outros órgãos do governo tomaram as medidas preventivas e planos de contingência necessários para evitar ou reduzir os efeitos da seca no país. Segundo o ministro, a crise no sistema Cantareira, a redução do volume de água no rio Paraíba do Sul, no Rio, e a situação de emergência em 159 municípios de Minas Gerais, justificam a auditoria.

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