Nível do sistema Cantareira volta a cair e atinge 3,3% da capacidade

Por Carolina Santos

O nível dos reservatórios do sistema Cantareira caiu de 3,5% para 3,3%, entre segunda-feira e terça-feira. As chuvas que caíram desde o domingo não foram suficientes para pelo menos estabilizar o nível dos reservatórios.

De acordo com a meteorologia, a atmosfera deve ficar mais úmida, e o ar quente e seco que prevaleceu ao longo do fim de semana no Sudeste e parte do Sul do país, perde força. A tendência é que novas frentes frias estacionem sobre essas regiões e provoquem chuvas, mas sem grandes quantidades.

A última chuva significativa no sistema havia ocorrido  em 26 de setembro – 22,7 milímetros de água, o suficiente para manter o volume em 7,2% por dois dias. Desde 28 de setembro, no entanto, os reservatórios registram queda diária entre 0,2% e 0,1%.

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Entre as dez maiores máximas já registradas na capital, seis são de 2014, segundo dados do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia). O recorde histórico, 37,8oC, foi verificado na sexta-feira. O último domingo também entra na lista dos dez dias mais quentes, com 35,8oC.

Na lista também constam os três dias mais quentes de fevereiro deste ano, quando os termômetros passaram dos 36oC.

De acordo com especialistas, um dos fatores responsáveis pelas altas temperaturas são as ilhas de calor. O fenômeno acontece em áreas urbanas, onde há grande concentração de asfalto e concreto.

Com represas quase vazias, venda de água aumenta até 50%

Estoque de galões em distribuidora de água | Marcelo D’Sants/Frame/Folhapress Estoque de galões em distribuidora de água | Marcelo D’Sants/Frame/Folhapress

Distribuidoras de água nunca tiveram demanda tão grande em São Paulo. As vendas nos últimos 20 dias  aumentaram até 50%, segundo empresas consultadas nesta segunda-feira pelo Metro Jornal. Supermercados também registraram maior procura. Com medo, paulistanos começam a estocar água em casa.

Dono da distribuidora Nuvem D’Água, no Butantã, zona oeste de SP, Antônio Sazino, de 49 anos, afirmou que a demanda dobrou no último mês. “Tive até que comprar um estoque a mais para não faltar água para os meus clientes. Coloquei, inclusive, um carro a mais na rua”, disse.

Apesar da alta procura, as vendas na Multi Água, na República, região central, não aumentaram. “A água está acabando. No final do dia, acaba tudo e os clientes reclamam. Tive que aumentar o preço do galão de 20 litros, de R$ 7 para R$ 8”, afirmou o proprietário Claro Mauli, de 63 anos.

Com o “boom” dos últimos dias, Roberta Schermann, de 36 anos, dona da Rocha Branca Água Mineral, na Vila Mariana, zona sul de SP, diz que os clientes que costumavam comprar dois galões por semana passaram a comprar dez. “Na quinta-feira, uma cliente, que não é de nenhuma empresa, comprou 30 galões de 20 litros”, afirmou. “Acho que esse crescimento tem a ver com o calor, clima seco e a crise do sistema Cantareira”, completou.

Pesquisa Datafolha, divulgada nesta segunda, aponta que 60% dos paulistanos ficaram sem água em casa em algum momento nos últimos 30 dias. O levantamento mostra, ainda, que 34% já estão estocando galões e garrafas.

A técnica em enfermagem Cláudia Marques, de 41 anos, que mora em Pirituba, na zona oeste de SP, diz que passou a estocar água nos últimos seis dias. “É por precaução. Por enquanto, estou guardando água apenas para a comida, porque teve dias que tivemos de comer fora por não ter água em casa”, afirmou.

O dono da distribuidora de água Santa Madalena, no Campo Belo, zona sul, atribui o crescimento das vendas à falta de água. “Aqui no bairro, a primeira vez que faltou água durante o dia foi na segunda-feira. Nesse dia, a procura aqui, e nas demais distribuidoras, foi de cerca de 10%”, afirmou Silvano de Lima, de 28 anos.

Desde o início de outubro, o Smart Supermercado registrou aumento de 23% na água mineral “para manter a frequência na entrega”.  O gerente, que pediu para ser identificado apenas como Edson, afirmou que, por enquanto, tem conseguido comprar água no atacado e que, por isso, não teve problema com fornecedores.

Já o mercado Futurama informou que os fornecedores estão demorando até quatro dias para entregar água – o que antes demorava um dia. O gerente da loja localizada na rua General Jardim, Daniel dos Santos, de 46 anos, disse que espera que a situação piore. “Estão pedindo que a gente antecipe os pedidos”.

As compras de água no Walmart Brasil dobrou entre janeiro e setembro deste ano, quando comparado ao mesmo período de 2013. “Neste ano, o Walmart registrou um crescimento maior nas vendas de embalagens de 5 e 10 litros”, afirmou, em nota, o supermercado. “Os estoques estão normais e não há problema de abastecimento de água mineral”.

Extra e Pão de Açucar tiveram crescimento de 37% nas vendas de água na primeira quinzena de outubro. “Os destaques em vendas estão nas embalagens familiares (5, 6 e 10 litros)”, diz o GPA (Grupo Pão de Açúcar), em nota.

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