Três pessoas são hospitalizadas na Espanha por temor de ebola

Por Carolina Santos

Três pessoas foram hospitalizadas na Espanha e estão sendo monitoradas para tentar impedir a disseminação do vírus letal no país, disseram autoridades de saúde espanholas nesta terça-feira, um dia depois da confirmação de que uma enfermeira no país está internada com a doença.

Um dos hospitalizados é um funcionário de saúde que está com diarreia mas não tem febre. O outro é um espanhol que deixou a Nigéria, disse Rafael Perez-Santamaria, diretor do hospital Carlos III, onde a enfermeira infectada tratou dois missionários espanhóis que contraíram a doença na África e morreram na Espanha. O marido da enfermeira, que não tem sintomas, também está sob observação.

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Com a crescente preocupação em todo mundo de que a epidemia de ebola se espalhe para além da África Ocidental, as autoridades espanholas buscaram assegurar ao público que estão lidando de perto com a ameaça.

A diretora da OMS (Organização Mundial da Saúde) para a Europa, Zsuzsanna Jakab, disse que o surgimento de mais casos da doença é “inevitável” mas que o continente está bem preparado para controlar a doença.

“Tais casos importados e eventos similares ao que aconteceu na Espanha também vão acontecer no futuro, muito provavelmente”, disse Jakab de seu gabinete em Copenhague. “É bastante inevitável que tais eventos ocorram no futuro, em função do grande número de viagens tanto da Europa para os países afetados como no sentido inverso”.

Vários países europeus, incluindo França, Grã-Bretanha, Holanda, Noruega e Espanha, trataram pacientes repatriados após contraírem ebola na África.

Sêmen

A OMS disse que o vírus do ebola pode sobreviver no sêmen por cerca de 90 dias, aumentando o temor de contaminação. Peter Piot, um dos descobridores da doença, disse que “é preciso aconselhar os sobreviventes a usar camisinha”.

Criança tem alta após tratamento por ebola na Libéria | Reuters Criança tem alta após tratamento por ebola na Libéria | Reuters

FMI prevê ‘efeito dramático’ de epidemia para a África

O FMI (Fundo Monetário Internacional) disse que o crescimento econômico da África subsaariana continua forte e deve acelerar para 5,8% em 2015, mas previu que um surto prolongado ou disseminado de ebola no oeste do continente terá “consequências dramáticas” para a região.

Na mais recente edição do relatório “Perspectivas Econômicas Mundiais”, o FMI disse que a África deve repetir a taxa de crescimento de 5,1% de 2013 neste ano e que deve também crescer em 2015, uma vez que os investimentos em infraestrutura estão aumentando a eficiência e que o setor de serviços e a agricultura estão florescendo. A previsão para o ano que vem foi um avanço em relação aos 5,5% de crescimento para a região como um todo projetada pelo fundo em abril.

Saúde sobrecarregada

“Esta perspectiva positiva geral é, entretanto, eclipsada pela dura situação de Guiné, Libéria e Serra Leoa, onde o atual surto de ebola está cobrando um alto preço humano e econômico”, informa a parte do relatório que trata da África subsaariana.

A epidemia de ebola, que já matou mais de 3,4 mil pessoas, sobrecarregou os sistemas de saúde e abalou as economias dos três países do oeste africano, que mostravam sinais de recuperação de uma década de guerras civis interligadas nos anos 1990.

“Se o surto de ebola se estender por mais tempo ou se espalhar para mais países, terá consequências dramáticas na atividade econômica da região do oeste da África”, declarou o FMI no relatório.

Na Nigéria, o fundo prevê crescimento de 7% em 2014 e 7,3% em 2015. O país, afetado pelo surto, é o maior produtor de petróleo e a maior economia do continente.


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