Ministério Público quer conter retirada de água do Cantareira

Por Carolina Santos

Após investigação sobre a crise do Cantareira promotores do Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente de Campinas e Piracicaba entraram com uma ação civil pública na Justiça pedindo a “revisão imediata” da retirada de água do sistema pela Sabesp e a proibição da captação integral da segunda cota do volume morto.

A ANA (Agência Nacional de Águas) e o DAEE (Departamento de Águas e Energia Elétrica), órgãos reguladores do manancial, também são réus na ação.

De acordo com os promotores, enquanto não for imposto um limite, a companhia de saneamento vai continuar bombeando água do sistema até um possível esgotamento dos reservatórios.

Os promotores pedem ainda que sejam definidas novas vazões de retirada para a Sabesp, a fim de que o Cantareira atinja, no início do período de estiagem, no final de abril, no mínimo, o mesmo volume registrado na mesma data neste ano: 10% da capacidade ou 97,4 bilhões de litros.

O volume de armazenamento do Cantareira bateu mais um recorde negativo na segunda-feira, chegando a 5,8%, de acordo com dados divulgados pela Sabesp. O sistema não registra aumento desde maio, quando foi captada a primeira cota do volume morto.

“Não vai faltar água. Durante o período de chuvas vamos manter o bônus para quem economizar e vamos começar a usar  água do Guarapiranga para ajudar no abastecimento”, disse o governador Geraldo Alckmin, reeleito no domingo.

Em setembro, o secretário estadual de Recursos Hídricos de São Paulo, Mauro Arce, afirmou que o atual volume de água do Cantareira só abastece a população até novembro.

A Sabesp  afirma que   a água está garantida até março de 2015 e descarta a necessidade de racionamento no Estado.

Mesmo assim, a companhia já está com as bombas para a captação da segunda cota do volume morto prontas para serem usadas.

Ontem, era o prazo final para a Sabesp enviar o relatório sobre o sistema à ANA, para justificar o pedido para retirada da segunda cota da reserva técnica dos reservatórios. Porém, até as 20h o documento ainda não havia sido enviado.

Em nota, a ANA informou que o plano é imprescindível para que os órgãos reguladores possam analisar e autorizar, se for o caso, a utilização de volumes adicionais.

Sobre a acão do MP, Sabesp e ANA informaram que ainda não foram notificadas. O DAEE e a Secretaria de Saneamento e Recursos Hídricos não se manifestaram. 

Conteúdo Patrocinado
Loading...
Revisa el siguiente artículo