Plano prevê limite de captação de outros sistemas para o Cantareira

Por Tercio Braga
Nível do Cantareira está abaixo de 7% | Luis Moura/Folhapress Nível do Cantareira está abaixo de 7% | Luis Moura/Folhapress

Um novo plano, que deve ser debatido nesta semana, prevê a restrição e até mesmo a interrupção diária de água no Sistema Cantareira, devido à crise hídrica no Estado.

Segundo o jornal “Folha de S.Paulo”, o plano está descrito em um documento timbrado com os logotipos do DAEE (departamento estadual de águas) e da ANA, agência federal que regula o uso de recursos hídricos no Brasil.

O DAEE não nega a autenticidade do documento, mas atribui a autoria da proposta à ANA, que afirma que a estratégia foi elaborada em conjunto. Se colocada em prática, a Grande São Paulo pode ter de implantar sistema de racionamento de água logo depois das eleições.

De acordo com o documento, o plano é limitar a retirada de água das bacias PCJ (Piracicaba, Capivari e Jundiaí), que alimentam o Cantareira, em duas condições: quando o nível do sistema chegar a menos de 5% e quando as vazões dos rios estiverem muito baixas.

Caso a limitação nas bacias PCJ seja necessária, indústrias, produtores rurais e empresas de abastecimento terão de reduzir e interromper a retirada de água.

Ainda segundo o documento timbrado pelos órgãos estadual e federal, para fins de abastecimento, a captação de água diminuiria 20% e teria de ser suspensa todos os dias entre 7h e 12h. Já para uso industrial ou para irrigação, a redução seria de 30%, com suspensão diária das 12h às 18h.

Em nota, a Secretaria de Saneamento e Recursos Hídricos do Estado afirmou que considera a medida “inoportuna” e que a proposta da ANA causaria graves transtornos aos cidadãos abastecidos pelas bacias.

Ontem, o nível do Sistema Cantareira registrava 6,9%. Se não chover, a marca de 5% deve ser atingida no final de outubro. 

Chuvas devem voltar em outubro, diz instituto

O centro de previsão de tempo do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) afirmou ontem que a região dos rios e represas que abastecem o Sistema Cantareira deve voltar a ter chuvas com mais frequência a partir da segunda quinzena de outubro.

O pesquisador do instituto Gilvan Sampaio, no entanto, afirma que não é possível prever se vai chover menos ou mais do que a média para o mês na região. Segundo ele, a previsão de três meses para toda a região Sudeste é baixa.

O governo Geraldo Alckmin (PSDB) espera o retorno das chuvas para não ser obrigado a decretar racionamento de água.


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