Sequestrador usou arma de brinquedo e premeditou ação em hotel de Brasília

Por Tercio Braga
Sequestrador Jackson se entrega à polícia após 8 horas | Souza dos Santos Fábio Henrique Pozzebom/Agência Brasil Sequestrador Jackson se entrega à polícia após 7 horas | Souza dos Santos Fábio Henrique Pozzebom/Agência Brasil

O sequestrador Jac de Souza Santos se entregou à polícia na tarde desta segunda-feira, após invadir o hotel Saint Peter  e  manter um funcionário como refém no 13º andar do prédio por mais de sete horas, em Brasília.

Santos manteve o chefe dos mensageiros, José Ailton, refém sob a mira de uma pistola e o obrigou a colocar um colete com bananas de dinamite. Mais tarde, a polícia constatou que ambos eram falsos.

“Trabalhamos o tempo todo com a possibilidade de ele explodir o hotel”, afirmou o capitão Lúcio Flávio Teixeira Júnior, comandante do Esquadrão Antibombas do Bope.

O ex-vereador da cidade de Combinado (TO) fez registro como hóspede às 5h30 no hotel. Logo após subir, pediu que um mensageiro fosse ao quarto buscar o depósito obrigatório. José Ailton, que trabalha no hotel há quatro anos, foi até o quarto e logo foi feito refém pelo sequestrador.

Após a demora, a camareira acionou a gerência, que chamou a polícia. O sequestrador ocupou dois quartos e ameaçava explodir o hotel, caso suas reivindicações não fossem atendidas até as 18 horas.

“Ele pedia a extradição de Cesare Batisti e a aplicação da lei da ficha limpa”, informou o delegado Paulo Henrique Almeida, chefe da Divisão de Comunicação da Polícia Civil do DF.

Cerca de 150 policiais civis e militares do DF, mais agentes do Detran, Polícia Federal e do Corpo de Bombeiros foram mobilizados. Atiradores de elite da polícia foram posicionados em áreas estratégicas e aguardavam autorização para atirar.

A cada dez minutos, o sequestrador aparecia na sacada do hotel, juntamente com Ailton, para exigir a conclusão das reivindicações. Minutos antes de se entregar, o homem apareceu na sacada do prédio com um dos punhos unido por algemas ao braço do refém. O funcionário já aparecia sem o colete com a suposta carga de dinamite. O refém deixou o hotel em um carro de polícia.

De acordo com  o advogado de Santos, Carlos Nascimento, o cliente tem problemas psicológicos.

O preso será transferido para o DPE (Departamento de Polícia Especializada), já que a polícia teme uma tentativa de suicídio.

Santos pode responder por cárcere privado, cuja pena é de um a três anos de reclusão. 

Ação foi premeditada, afirma Polícia Civil do DF

José Aylton se manteve tranquilo | Andressa Anholete/Metro Brasília José Aylton se manteve tranquilo | Andressa Anholete/Metro Brasília

Do lado de fora do hotel, a equipe de investigação montada levantou rapidamente a ficha do sequestrador. Morador da cidade de Combinado (TO), a 520 km de Palmas, ele é filiado ao PP, tem uma filha em Brasília e havia chegado à cidade no sábado.

Durante o sequestro, uma equipe da Polícia Civil foi até Tocantins para conversar com a família de Jac. Lá os policiais encontraram três cartas em que ele expressava opiniões políticas e avisava sobre um ato grandioso que faria para acordar o ‘gigante adormecido’, como se referia ao Brasil.

Nas cartas, o sequestrador também dava a entender que cometeria um suicídio. As cartas tinham data de 25 de setembro, o que, segundo a Polícia Civil, prova que a ação foi planejada.

Por volta das 14h, em uma de suas aparições, Jac arremessou um cd que continha um arquivo de aúdio. A mídia registrava um pedido de desculpas à polícia e à imprensa e foi gravada no último dia 19, outra prova de premeditação.

Crime

O sequestrador deve responder pelo crime de cárcere privado, que prevê pena de um a três anos de reclusão.

Mensageiro feito refém atuou como 4o negociador

O controle emocional e psicológico do mensageiro José Aylton contribuiu para o desfecho do episódio. Aylton se manteve tranquilo durante as quase oito horas em que ficou refém e conquistou a confiança de Jac, que até pediu que a mulher e a filha do mensageiro fossem levadas ao local.

A Polícia Civil trabalhou com três negociadores que do corredor do 13º andar, tentavam tranquilizar Jac de Souza Santos para que ele desistisse da ação.

“A serenidade e o preparo dos negociadores foram fundamentais para a rendição”, destacou o delegado Paulo Henrique de Almeida.

Depois da rendição, os agentes constataram que a pistola era um simulacro – arma falsa. E, meia hora depois, os policiais do esquadrão antibombas informaram que as bananas de dinamite eram tubos de PVC recheados com massa epóxi, serragem e terra.

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