Poli proíbe festa em campus após morte de jovem em São Paulo

Por Tercio Braga
Segurança patrulha pátio da Poli | André Porto/Metro Segurança patrulha pátio da Poli | André Porto/Metro

A morte do estudante de design do Senac Victor Hugo Marques, de 20 anos, dentro da USP (Universidade de São Paulo), levou a direção da Poli (Escola Politécnica) a vetar festas na faculdade.

O corpo do estudante foi encontrado na raia olímpica da USP na manhã de anteontem. Ele estava desaparecido desde sábado, quando foi a uma festa no velódromo da universidade.

Segundo o diretor da Poli, professor José Roberto Piqueira, “universidade não é local de balada, de bebida e de festa”. Na tarde de ontem, os diretores do Cepeusp (Centro de Práticas Esportivas) também decidiram suspender festas até 21 de outubro, quando ocorrerá reunião do conselho gestor da universidade.

A sensação de insegurança dentro da USP atinge até guardas universitários. “Também temos medo. O contingente é pequeno”, afirmou um agente que pediu para não ser identificado. Em duas horas e dez minutos dentro do campus, a reportagem do Metro Jornal encontrou apenas uma viatura da PM.

Alunos dizem que falta policiamento no campus. O estudante de engenharia metalúrgica Felipe Marins, de 24 anos, conta que levou uma coronhada na cabeça durante um assalto em julho deste ano.

“É uma sensação de insegurança permanente. O campus é mal iluminado e totalmente aberto, o que facilita ações de criminosos”, afirmou.

A PM diz que, de janeiro a julho deste ano, 82 pessoas foram presas em flagrante na região da USP. A corporação diz que apreendeu 3 armas e que recuperou 214 carros roubados ou furtados. 

Suspeita é de que corpo tenha sido jogado na raia depois de três dias

A principal suspeita da polícia é de que o corpo de Victor Marques tenha sido jogado na água entre a noite de segunda-feira e a manhã de terça.

Segundo boletim de ocorrência, Victor foi encontrado com “escoriações de aparente arrasto no lado esquerdo da face, no nariz, na parte esquerda do lábio inferior e nos cotovelos”.

A hipótese tem como base o depoimento do instrutor de remos que encontrou o corpo. Ontem, mais quatro pessoas foram ouvidas no DHPP (departamento de homicídios).

A polícia investiga, também, como Victor chegou até a raia olímpica, já que ela é cercada – apenas funcionários e atletas têm acesso ao Local. O Metro Jornal localizou ontem uma série de brechas na grade, que vão desde buracos até “árvores escadinhas”. Estudantes da Poli afirmaram que costumam ir até o local durante e depois de baladas.

O corpo do estudante foi enterrado ontem em Jandira, na Grande São Paulo. No velório, familiares e amigos de Victor Hugo diziam estar indignados. 

Crimes ocorridos dentro da USP entre 2011 e 2014:

• 02/04/11. Caloura é estuprada durante festa na sede da Atlética da Medicina.

• 18/05/11. Estudante é morto no estacionamento da FEA após reagir
a um assalto.

• 05/10/12. Estudante de Letras é mantida refém por 40 minutos durante sequestro relâmpago.

• 09/10/13. Aluna da Poli sofre tentativa de estupro dentro do banheiro.

• 05/12/13. Motorista de ônibus fica ferido durante assalto dentro do campus.

• 21/01/14. Primeiro
caso de ciclista roubado dentro da USP.

• 03/07/14. Alunos da Poli sofrem arrastão em bar
do grêmio estudantil.

• 26/08/14. Estudante de jornalismo fica ferida após ser assaltada por quatro homens armados.

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