Moradores questionam: o que fazer com a parte de baixo do Minhocão?

Por fabiosaraiva
Wanezza Soares Vista inferior do Minhocão | Wanezza Soares

Enquanto a Câmara Municipal discute um projeto de lei para transformar o elevado Costa e Silva, o Minhocão, em parque, moradores e comerciantes da região afirmam sofrer com a degradação da parte de baixo da via.

Depois de reclamar com a prefeitura, alguns deles decidiram contratar uma empresa privada de segurança para evitar que moradores de rua e usuários de drogas ocupem a região. Cada comércio paga R$ 50 por mês. Edifícios residenciais colaboram com R$ 100 mensais.

Comerciantes e moradores contaram à reportagem do Metro Jornal que, cada vez que um morador de rua se deita debaixo do Minhocão, na frente do seu comércio, o lojista aciona a empresa que manda um segurança para retirar a pessoa do local.

Vestidos com ternos pretos, os seguranças andam desarmados e tentam “expulsar” os moradores de rua na “base da conversa”. Segundo o comerciante Sandro Riave, de 28 anos, em último caso, eles esguicham água. “Contratamos a empresa há oito meses. Não vejo mais morador de rua aqui em frente há uns três meses”.

Os comerciantes afirmaram que tomaram a medida depois de terem pedido ajuda à prefeitura. “Fomos à prefeitura há um ano e nada fizeram”, diz Riave. Na tarde desta quarta-feira, a reportagem do Metro Jornal presenciou um usuário de drogas fumando crack em frente à estação Marechal Deodoro.

Como os seguranças só atuam no horário comercial, à noite moradores de rua e usuários de drogas voltam a se instalar sob o elevado. “Somos reféns”, diz a corretora de imóveis Maria Angela, de 58 anos, que mora no cruzamento da avenida São João com a alameda Glete. “Eles usam drogas e lavam suas roupas. O parque não vai resolver a questão, só vai piorar, porque eles vão migrar para cima.”

O comerciante Doral Rischtter, de 68 anos, diz que os seguranças foram contratados para garantir a integridade das pessoas que circulam na região. “Já vi um morador de rua ser esfaqueado em uma briga na frente da minha loja. Depois disso, contratei pela minha própria segurança”, afirma.

Procurada, a prefeitura afirmou, em nota, que tem uma rede de abrigos e programas para atendimento da população de rua. “Empresas privadas não podem obrigar pessoas a sair de espaços que são públicos e o MP (Ministério Público) acompanha esse tema para evitar práticas higienistas que violem os direitos das pessoas.”

 

Morador diz preferir carro a parque no local
A primeira discussão pública sobre o destino do Minhocão atraiu cerca de 200 pessoas à Câmara Municipal na noite desta terça-feira. Os participantes se dividiram em três grupos. O primeiro apoia o projeto de lei que determina a criação do Parque Municipal do Minhocão.

O segundo grupo, formado por moradores da região, afirma que a criação de um parque na via vai agravar ainda mais os problemas que já existem na região, como falta de segurança, lixo e barulho. “Os moradores preferem os carros às pessoas que frequentam o elevado aos domingos, quando ele fica fechado para os carros”, disse Yara Goes, de 64 anos. Moro no primeiro andar de um prédio em frente ao Minhocão. Quero que fique como está ou que derrube. Sou contra o parque”, disse a corretora Maria Angela da Silva, de 58 anos.

O terceiro grupo, chamado Veredas, é a favor da desativação do Minhocão, mas defende que o destino da via seja amplamente debatido antes da decisão. Segundo eles, o ideal é derrubar a estrutura e recuperar a região. Liderada por Wilson Levy, de 28 anos, a Associação Parque do Minhocão argumenta que o parque já existe aos domingos, quando os carros são vetados.

“O projeto reconhece uma demanda da sociedade. É um parque espontâneo, que não implicará em custo algum para a cidade”. Prevista no Plano Diretor, a desativação do tráfego de veículos no elevado Costa e Silva não tem prazo para acontecer, e precisa ser aprovada por uma lei específica para ser aprovada.

 

Projeto divide especialistas
A transformação do Minhocão em parque não é uma unanimidade entre os urbanistas. O professor da FAU João Sette Witaker diz que a criação de um parque é uma solução “elitista” e não resolverá o problema, porque a parte de baixo continuará sem luz e abandonada. Segundo Witaker, a melhor solução seria implantar um VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) ou derrubar a estrutura.

“Dessa forma a prefeitura poderia implantar ciclovias e calçadas largas, dando vida a uma região que foi transformada em subsolo.” Já o urbanista Candido Malta diz que o parque elevado seria uma boa solução. “Vai valorizar a região”. Para Malta, a ideia de ligar a zona oeste à zona leste, objetivo da obra, era correta. “O problema foi o projeto. Aquilo é um horror urbanístico.”

Em um ponto, os dois concordam: proibir o tráfego de veículos no elevado é uma medida necessária. “Uma linha metroviária feita ao lado dos trilhos da CPTM resolveria o problema”, diz Malta.

Witaker afirma que, antes de qualquer mudança, é preciso pensar nas pessoas que atualmente moram na região. “É preciso ter uma política pública para proteger as famílias pobres que foram morar lá por conta da desvalorização que a região sofreu. O Minhocão é anacrônico, mas a sua desativação precisa ser feita com cuidado”.

 

Metro pergunta: você é a favor ou contra a criação de um parque no Minhocão?

vox-populi-minhocão“Sou contra. Já que aumentar não dá, então deixa do jeito que está. Trabalho na região há dois anos e o trânsito é sempre ruim. Com o parque, vai piorar.” – Wagner Souza, 20 anos, vendedor

Totalmente contra. Aos domingos fica muito barulho e as pessoas olham para dentro do meu apartamento, que fica em frente. Os carros, não.”– Mary Arlete Turra, não quis dizer a idade, aposentada

Sou a favor de demolir o Minhocão. É uma obra feia que desvaloriza a região e, em termos de bem estar aos moradores, é péssimo.” – Guilherme Athenesi, de 27 anos, jornaleiro

Vox-Populi-2Sou muito a favor. Não tem opção de lazer. Acabo levando minha filha, de 9 anos, em shoppings. Seria legal também ter aparelhos para atividade física.” – Aline dos santos, 30 anos, dona de casa

 

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