Após três anos foragido, Roger Abdelmassih é preso no Paraguai

Por Tercio Braga
Roger Abdelmassih é levado por policiais no Paraguai | Senad/Reuters Roger Abdelmassih é levado por policiais no Paraguai | Senad/Reuters

O ex-médico Roger Abdelmassih foi preso nesta terça-feira em Assunção, no Paraguai,  em uma ação conjunta da polícia paraguaia e da PF (Polícia Federal). Foragido desde janeiro de 2011, ele liderava a lista de criminosos mais procurados pela Polícia Civil de São Paulo. A recompensa por informações de seu paradeiro era de R$10 mil.

Luiz Rojas, secretário antidrogas do Paraguai, afirmou ao programa Brasil Urgente, da Band, que Abdelmassih foi preso por volta das 14h.

“Ele morava numa mansão com a mulher e os dois filhos. A PF investigava o local há alguns dias. Ele não ofereceu resistência, mas queria falar com o advogado. Logo após ter sido capturado, ele foi colocado em um avião militar que foi até Foz do Iguaçu (Paraná)”, completou Rojas.

De acordo com o MP (Ministério Público), o ex-médico chegou à sede da PF em Foz do Iguaçu por volta das 18h40, em um forte esquema de policiamento. Ele deve desembarcar às 13h desta quarta no aeroporto de Congonhas, na zona sul.

20140820_SP04_prisao-abdelmassihAs primeiras denúncias de assédio sexual contra Abdelmassih surgiram em 2008. Em junho do ano seguinte, ele foi indiciado por estupro e atentado violento ao pudor. No ano seguinte, foi condenado a 278 anos de prisão. Considerado um dos principais especialistas em reprodução humana no país, Abdelmassih foi acusado por 35 pacientes, que afirmaram ter sido atacadas dentro da clínica que ele mantinha na avenida Brasil, na região dos Jardins.

As pacientes o acusaram  de tentar beijá-las na boca ou acariciá-las quando estavam sozinhas. Algumas afirmaram ter sido  molestadas após a sedação. De acordo com a acusação, parte dos 8 mil bebês concebidos na clínica também não seriam filhos biológicos de quem fez o tratamento.

Ele chegou a ser preso em agosto de 2009, mas recebeu o direito de responder o processo em liberdade, por decisão do então presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Gilmar Mendes, em dezembro do mesmo ano.

O habeas corpus foi revogado em janeiro de 2011, quando Abdelmassih tentou renovar seu passaporte. Sua prisão foi decretada, mas ele fugiu. Em maio do mesmo ano, teve o registro de médico cassado pelo  CRM (Conselho Regional de Medicina) de São Paulo.

O ex-médico sempre alegou que era inocente. Segundo ele, estava sendo atacado por “um movimento de ressentimentos vingativos”.

 

Página do Facebook criada por pacientes assediadas pelo ex-médico | Reprodução/facebook Página do Facebook criada por pacientes assediadas pelo ex-médico | Reprodução/Facebook

Vítimas comemoram prisão

Mulheres que foram assediadas pelo ex-médico Roger Abdelmassih comemoraram nas redes sociais logo após a divulgação da prisão dele, na tarde desta terça.

Na página do Facebook “Vítimas de Roger Abdelmassih e Clínica”, criada por um grupo de ex-pacientes, dezenas de mulheres postaram comentários lembrando dos casos de assédio e afirmando que, finalmente, foi feita a justiça.

“Desejo que ele pague por toda dor que causou”, escreveu uma delas.

Em entrevista ao programa Brasil Urgente, Ivanilde Serebrenic, a primeira vítima a contar sua história em público, afirmou que o número de pacientes abusadas pelo médico é ainda maior do que o que se imagina.

“Pais e mães não denunciaram o caso porque descobriram que não são pais biológicos dos próprios filhos e não quiseram expor a família. Se existe a justiça de Deus, ele vai apodrecer na cadeia”, afirmou Ivanilde. 

 

Foto de Abdelmassih no site  webdenuncia.org.br | Reprodução Foto de Abdelmassih no site webdenuncia.org.br | Reprodução

MP diz que lavagem de dinheiro levou à prisão

O promotor Luiz Henrique Dal Poz afirmou nesta terça que  foi possível  chegar ao paradeiro de Roger Abdelmassih após cruzamento de informações do MP (Ministério Público) e da PF (Polícia Federal).

Uma ação de busca e apreensão em uma fazenda de propriedade do ex-médico em Avaré, no interior, em maio, auxiliou as investigações.

A Promotoria investiga suposta lavagem de dinheiro praticada pelo ex-médico, e vai pedir o agravamento da pena de 278 anos.

Dal Poz disse que, durante a investigação de pessoas que o teriam ajudado a fugir do Brasil, surgiu a informação de que ele estava na América do Sul. “Ficou evidenciado o possível paradeiro do ex-médico no Paraguai e a Justiça estadual autorizou o compartilhamento das provas com a Polícia Federal, que evoluiu nas apurações.”

A investigação também apura falsidade ideológica e documental. “Finalmente, ele vai poder, agora, completar o ciclo. Vai cumprir a pena que a ele foi imposta. Este é o nosso desejo”, afirmou. 

Clínica gerou quase 8 mil bebês 

Roger Abdelmassih foi um dos pioneiros da técnica de fertilização in vitro no país. A clínica dele, na avenida Brasil, era uma das mais modernas da América Latina e ele era considerado um dos maiores especialistas do mundo na área. Em 20 anos de funcionamento, o centro de reprodução assistida de Abdelmassih gerou quase 8 mil bebês. Por ano, eram realizadas lá cerca de mil fertilizações. Um pacote com três tentativas custava R$ 38 mil. O médico foi responsável pela inseminação artificial de mulheres de personalidades, como o ex-presidente da República Fernando Collor de Mello e o ex-jogador Pelé.

 

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