Funcionários da USP em greve protestam e fecham avenidas de São Paulo

Por fabiosaraiva
Manifestantes durante a caminhada até o Palácio dos Bandeirantes |  UOL/Folhapress Manifestantes durante a caminhada até o Palácio dos Bandeirantes | UOL/Folhapress

Funcionários e estudantes da USP interditaram na tarde desta quinta-feira por mais de quatro horas a avenida Morumbi, na zona sul da capital. Em alguns momentos, a via foi completamente ocupada pelos manifestantes.

Segundo a PM (Polícia Militar), cerca de 1,5 mil pessoas participaram do ato. Eles saíram da Cidade Universitária por volta das 13h20, rumo ao Palácio dos Bandeirantes. No caminho, bloquearam a avenida Morumbi. A via só foi totalmente liberada às 18h30. O trânsito ficou complicado na região.

Na sede do governo, um grupo de 10 pessoas foi recebido pela equipe da Casa Civil estadual e apresentou documentos pedindo o cálculo correto para o reajuste dos salários. Alckmin não participou por estar reunido com o governador de Pernambuco, João Soares Lyra Neto. A reunião terminou às 17h15 e os representantes do governo ficaram de marcar um novo encontro com membros da Secretaria da Fazenda.

Os funcionários da USP, Unesp e Unicamp estão em greve desde 27 de maio para protestar contra a proposta da universidade de não conceder reajuste este ano.

Eles pedem aumento de 9.78%. Os manifestantes também reclamam do corte de salários aos grevistas, feitos na semana passada.

As três universidades estão em crise financeira. A USP, desde o ano passado, tem comprometido mais de 100% dos repasses que recebe do governo estadual com a folha de pagamento. Para aliviar a crise, a universidade estuda implementar um programa de demissão voluntária (leia ao lado).

O diretor do Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP) Magno de Carvalho afirma que a reitoria da universidade não tem negociado com a categoria, alegando que só poderá conceder algum reajuste no ano que vem. Sobre os cortes de salário dos grevistas, haveria uma reunião com a universidade, mas foi cancelada anteontem.

Segundo o sindicalista, o cancelamento causou revolta entre os grevistas, que estão planejando fechar novamente os portões da universidade na próxima quarta-feira.

 

Universidade estuda demissão voluntária

Devido à crise financeira, a USP estuda implementar um programa de demissão voluntária de funcionários e um incentivo para que professores reduzam as jornadas de trabalho. Nesta sexta, o reitor Marco Antonio Zago deve se reunir com diretores de faculdades para tratar do tema, antes de as propostas serem apresentadas para votação interna.

De acordo com o jornal “Folha de S. Paulo”, a administração da universidade estuda adotar um programa de demissões que abranja 3 mil funcionários

No total, a instituição possui 6 mil docentes e 17.450 técnicos administrativos. Segundo a proposta, a medida pode diminuir em 10% os gastos da USP com a folha de pagamento, que hoje representa 106% do seu orçamento.

As indenizações custariam R$ 600 milhões. Outra medida estudada é incentivar que docentes diminuam 25% da jornada de trabalho, resultando na  redução de 20% de seus salários. 

 

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