Governo do Estado de São Paulo diz que racionamento é inviável

Sabesp quer captar mais água do volume morto do sistema Cantareira | Luis Moura/Folhapress Sabesp quer captar mais água do volume morto do sistema Cantareira | Luis Moura/Folhapress

O governo do Estado de São Paulo vai tentar demonstrar ao Ministério Público Federal a inviabilidade técnica para se adotar o racionamento de água em São Paulo.

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MPF recomenda racionamento de água imediato em São Paulo

Segundo o secretário de Recursos Hídricos do Estado, Mauro Acre, em entrevista à Rádio Bandeirantes, a iniciativa traria, inclusive, risco de contaminação da água.

O MP recomendou ao governo paulista que apresente projetos para a imediata implementação do racionamento nas regiões atendidas pelo Sistema Cantareira. O objetivo é evitar um colapso do conjunto de reservatórios que abastece 45% da região metropolitana da capital.

Sabesp descarta racionamento apesar da recomendação do MPF

A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) descartou nesta terça-feira (29), o racionamento de água nas regiões de São Paulo atendidas pelo Sistema Cantareira, mesmo após recomendação feita nesta segunda-feira (28) pelo Ministério Público Federal (MPF) para que essa medida fosse implementada. A Sabesp informou que garante o abastecimento de toda região até a chegada da próxima estação chuvosa, em outubro. Considerando que as chuvas ocorram, a garantia se estende até março de 2015.

“Embora reconheça a importância institucional do MPF, com o qual sempre colabora, a Sabesp discorda frontalmente da imposição de um racionamento. A medida penalizaria a população e poderia produzir efeitos inversos daqueles pretendidos pelos procuradores. São Paulo preferiu enfrentar de forma organizada a maior estiagem de sua história. Os esforços feitos pela população e pela Sabesp até o momento equivalem à economia que se obteria com um rodízio de 36 horas com água por 72 horas sem água”, diz a nota da companhia.

Segundo balanço divulgado nesta terça-feira (29) pela Sabesp, 74% dos consumidores na grande São Paulo diminuíram seu consumo em relação à meta. Desde 1º de fevereiro, a companhia oferece bônus de desconto de 30% na conta de água, para quem reduzir o consumo em 20%. Nas leituras feitas entre o dia 1º e 25 de julho, 46% dos consumidores reduziram o gasto dentro da meta. “Isso resulta em uma economia de 2.400 litros a cada segundo na produção de água nestas quatro primeiras semanas de julho”, informa o levantamento.

Apesar dessa redução no consumo por parte da população, o nível nos reservatórios do Sistema Cantareira continua em queda e chegou nesta terça-feira (29) a 15,7% da sua capacidade de armazenamento. Todo o volume útil do sistema foi consumido e resta agora apenas o volume morto – reserva técnica. Há um ano, o Cantareira trabalhava com 53,7% da sua capacidade total.

O Cantareira, além de abastecer 9 milhões de habitantes na Grande São Paulo, atende a 5 milhões de pessoas nas bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí. Um estudo encomendado pelo Consórcio Intermunicipal das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí que representa essas cidades do interior, e elaborado pela Universidade de Campinas (Unicamp), mostrou que o volume do Cantareira pode secar totalmente em menos de 100 dias. O MPF se baseou nos resultados dessa pesquisa para fazer a recomendação de racionamento ao governo estadual.

Em entrevista à Agência Brasil no último dia 14, o professor Antonio Carlos Zuffo, do Departamento de Recursos Hídricos da Unicamp, responsável pela pesquisa usada pelo MPF, disse que acompanhou a situação dos reservatórios do sistema e alerta para a possibilidade de atraso no início do período de chuvas este ano.

“Não se pode garantir que [as chuvas] voltam em outubro. No ano passado, ela só veio na segunda metade de dezembro. Foram só 15 dias de chuvas normais ano passado. Não sabemos se [neste ano] vai voltar com normalidade ou se vai atrasar”, disse o especialista.

Zuffo defendeu uma redução na exploração da água e a implementação do rodízio como forma de garantir uma sobrevida do abastecimento. “Houve uma gestão de alto risco, o problema foi falta de planejamento, falta de investimento. A água é um recurso vital para todos os seres vivos, para todos os fins. Não poderiam ter adotado medidas com interesse meramente comercial do setor da água”, declarou.

O MPF informou, por meio de nota, que não descarta a adoção de medidas judiciais caso o governo do estado não atenda ao pedido de racionamento.

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