Governador de São Paulo diz que PM não discrimina negros

Por Tercio Braga
Alckmin afirmou que a corporação é preparada e desconhece atitudes discriminatórias durante as ações | Antonio Cruz/Agência Brasil Alckmin afirmou que a corporação é preparada e desconhece atitudes discriminatórias durante as ações | Antonio Cruz/Agência Brasil

Após a divulgação de um estudo realizado pela UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) que aponta que a taxa de negros mortos pela PM (Polícia Militar) é quase três vezes maior que a de brancos, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, defendeu a corporação. Nesta quarta, durante um evento em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, ela afirmou que desconhece qualquer tipo de atitude discriminatória nas ações efetuadas pelos PMs.

Segundo ele, a formação dos policiais é muito rigorosa e durante o curso são lecionadas disciplinas voltadas à questão de direitos humanos. Além disso, afirmou que a corporação é extremamente preparada, já que busca cumprir a lei, mas sempre respeitando os cidadãos. Ele lembrou, ainda, que uma lei estadual pune atos discriminatórios por motivo de raça ou cor, e que a primeira delegacia especializada em crimes raciais no país foi criada em São Paulo. “É crime, no Estado, qualquer tipo de discriminação racial.”

Estudo

A pesquisa sobre a letalidade policial, realizada pelo Grupo de Estudos sobre Violência e Administração de Conflitos da UFSCar, mostra que o índice de negros mortos em decorrência de ações policiais a cada 100 mil habitantes em São Paulo em 2011 foi quase três vezes maior (1,4 por 100 mil, ou 193 mortes), comparado com a população branca (0,5 por 100 mil, ou 131 mortes).

Segundo os dados, a população de negros no Estado é de 14,3 milhões e a de brancos, é de 26,4 milhões.

Das 939 vítimas analisadas pelos pesquisadores, 61% são negras (97% são homens e 77% têm de 15 a 29 anos). A taxa de prisões em flagrante de negros é 2,5 vezes maior. Durante as ocorrências, 79% dos policiais envolvidos são brancos e 96% atuam na Polícia Militar.

Para criar a pesquisa, foram analisados 734 processos da Ouvidoria da Polícia reunidos entre 2009 e 2011.

A SSP (Secretaria da Segurança Pública) informou que não teve acesso ao teor e à metodologia do estudo, mas que os dados serão apurados, para que possam aprimorar as políticas públicas de segurança.

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