‘Rio não devolve a água que tira do rio Paraíba’, diz Alckmin

Por Tercio Braga
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A “guerra” entre São Paulo e o Rio de Janeiro pela água do Paraíba do Sul teve mais um capítulo nesta segunda-feira. Durante evento no centro da capital, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) disse que o Estado vizinho é quem faz a transposição do rio, sem nenhuma contrapartida.

“Nós não queremos transposição. Isso quem faz é o Rio, que retira água e não devolve no período da cheia”, disparou  o tucano.

A fala de Alckmin foi uma resposta às recentes declarações do governador fluminense. Em encontro com a presidente Dilma Rousseff, Sergio Cabral disse que, caso seja preciso, “recorrerá à Justiça” contra a obra de captação de água da represa de Jaguari, em Igaratá, para a de Atibainha, em Nazaré Paulista.

Na conversa, ele afirmou que apresentará todos os estudos possíveis para impedir qualquer “projeto que coloque em risco o abastecimento de 11 milhões de pessoas atendidas pelo rio Paraíba do Sul”.

Para o governador de São Paulo, a posição do colega fluminense  é uma “questão de interpretação da informação”, já que a obra prevê uma interligação entre os dois reservatórios, não uma transposição.

No entanto, os próprios técnicos da Sabesp e o plano de recursos hídricos elaborado pelo DAEE (Departamento de Águas e Energia Elétrica) classificam a retirada de 5 mil litros de água por segundo do Jaguari como transposição. O objetivo da obra é garantir o abastecimento dos cerca de 15 milhões de consumidores abastecidos quando o sistema Cantareira estiver com nível abaixo dos 35%.

Decisão

Incumbida de autorizar ou não a obra, já que o Paraíba do Sul é um rio federal, a ANA (Agência Nacional de Água) informou ontem que ainda não recebeu o projeto do governo de São Paulo.

Técnicos do órgão regulador afirmam que, após o recebimento da proposta, serão necessários pelo menos dois meses para analisá-lo.

Caso o Estado consiga a autorização, a transposição deve ficar pronta em 18 meses. A obra custará cerca de R$ 500 milhões.

Ontem, o Cantareira operava com 14,5% de sua capacidade. Como base para comparação, esse índice era de 61,1% no mesmo período de 2013. Para evitar um racionamento a partir de julho, a Sabesp informa que iniciará em maio o uso  do “volume morto”  (água abaixo do nível de captação).

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