Tropas federais vão para o Rio a partir deste final de semana

Por Carolina Santos
UPP de Manguinhos e mais duas unidades foram atacadas no RJ | Erbs Jr./Frame/Folhapress UPP de Manguinhos e mais duas unidades foram atacadas no RJ | Erbs Jr./Frame/Folhapress

O governador Sérgio Cabral e o ministro da Justiça José Eduardo Cardozo anunciaram na tarde desta sexta-feira que tropas federais vão ajudar a combater a violência no Rio de Janeiro a partir deste final de semana.

A ajuda foi estabelecida em reunião entre o governador e a presidente Dilma Rousseff, que terminou por volta das 14h, em Brasília. As autoridades não quiseram informar quais são as forças de segurança que irão agir: o Exército, a Polícia Federal ou a Força Nacional de Segurança.

Segundo Sérgio Cabral, o apoio é necessário porque o crime organizado está tentando desestabilizar as polícias devido aos avanços nos últimos anos com as UPPs.

A decisão de pedir ajuda ao governo federal foi tomada na madrugada desta sexta-feira, após reunião entre Cabral e o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame.

Beltrame disse que “o nosso plano de resposta é todo o Batalhão de Operações Policiais Especiais [Bope], a Coordenadoria de Recursos Especiais [Core], o Choque, os batalhões da área e a Polícia Civil. Estamos todos de prontidão, com folgas diminuídas, ocupando espaços na cidade para evitar que haja qualquer tipo de ameaça ao cidadão carioca. Nós estamos com força total nas ruas do Rio”.

Na noite desta quinta-feira, criminosos balearam o comandante da UPP de Manguinhos, capitão Gabriel Toledo, na perna direita, com um tiro de fuzil, e atearam fogo a três contêineres em bases móveis distribuídas pela comunidade. A situação também ficou tensa no Complexo do Lins e no Morro dos Macacos, em Vila Isabel, onde houve manifestações, com ataque a tiros no Lins e na base avançada da Comunidade Camarista Méier. Na Rua Maranhão, um dos acessos ao bairro do Lins, um ônibus foi incendiado.

Após ataque, Manguinhos fica sem luz e tem escolas fechadas

Após os ataques a cinco UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) na noite de ontem, a sexta-feira começou com reforço no patrulhamento nas áreas atingidas no Rio de Janeiro. Nesta manhã, um helicóptero blindado da polícia sobrevoou a região do Complexo de Manguinhos, onde aconteceram os piores casos. Foi na comunidade da zona norte que contêineres da unidade foram incendiados; o capitão Gabriel Toledo, responsável pela área, foi baleado na perna, e um outro policial foi alvo de uma pedrada.

Em decorrência da situação, sete unidades de ensino da rede municipal amanheceram de portas fechadas na região de Manguinhos. As quatro escolas, duas creches e um espaço de desenvolvimento infantil atendem a cerca de 4 mil alunos. Segundo a Secretaria Municipal de Educação, o motivo do fechamento das unidades é a “violência no entorno”. No entanto, a secretaria diz que o conteúdo perdido será reposto.

Um colégio estadual também fechou as portas na manhã de hoje. A Secretaria Estadual de Educação informou que a unidade tem autonomia para tomar providências a fim de garantir “a integridade física e moral de seus alunos, professores e funcionários”. Segundo a Secretaria, as aulas perdidas serão repostas.

Parte da comunidade de Manguinhos também segue com o fornecimento de energia interrompido desde a noite de ontem. Técnicos da Light, empresa responsável pelo serviço, trabalham para reparar todos os danos à rede elétrica causados pelo conflito. Um primeiro trecho da comunidade já foi normalizado.

O Rio de Janeiro também registrou ataques em outras quatro UPPs: do Arará, Mandela, Complexo do Alemão e Camarista Méier.

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