Uso de água do rio Paraíba em São Paulo pode afetar RJ, diz especialista

O Sistema Cantareira é maior reservatório de água de São Paulo e abastece quase 9 milhões de pessoas na região metropolitana da capital | Mario Angelo/Sigmapress/Folhapress Sistema Cantareira continua com níveis críticos   | Mario Angelo/Sigmapress/Folhapress

O uso da água da bacia do Rio Paraíba do Sul, em São Paulo, para minimizar a crise no abastecimento de água na capital paulista pode afetar o serviço na região metropolitana do Rio de Janeiro, aponta o especialista em recursos hídricos pela PUC-RJ, Marcelo Motta. “A conta que deve ser feita é se a quantidade de água que for retirada para São Paulo não prejudique a condição das cidades que seguem pelo próprio Vale do Paraíba do Sul nessa transposição até a cidade do Rio de Janeiro”, disse à BandNews FM.

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Segundo Motta, as águas do Paraíba do Sul passam da região de São José dos Campos e Taubaté, no interior paulista, até chegar ao município onde Piraí (RJ), onde são responsáveis por cerca de 60% da vazão do Rio Guandu. “Ele é uma das únicas fontes de abastecimento da região metropolitana do Rio de Janeiro, contando com 12 milhões de pessoas”, observa o especialista.

Na quarta-feira, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin anunciou um projeto para fazer um canal de 15 quilômetros para levar água da represa do Jaguari, do Sistema do Paraíba do Sul, para a represa de Atibainha, que faz parte do Sistema Cantareira. As obras devem custar R$ 500 milhões e dependem de licença ambiental e de autorização da ANA (Agência Nacional de Águas). Elas só devem começar no ano que vem.

De acordo com Motta, a operação proposta é “relativamente rápida”. “O que a torna mais veloz é quanto de dinheiro é despendido nela”, analisa. “É um momento de crise no abastecimento e, obviamente, todos os esforços têm que ser direcionados à solução”.

O especialista também observa que há risco de os problemas no abastecimento voltarem a se agravar em junho. “A gente tem sempre um verão chuvoso no Sudeste. A ausência das chuvas de janeiro e a pouca chuva de fevereiro nos deram essa crise de abastecimento. Tem esperança [de chuva] ali no mês de abril e alguma coisa em maio. Mas, depois, tem seca novamente. Então, estaremos em junho com uma tensão sobre nossos sistemas hídricos”, comenta. “Isso tem que ser bem pensado no gerenciamento desse recurso hídrico. Afinal de contas, a gente tem, em um futuro bem próximo, o evento de uma Copa do Mundo, de consumo maior de água”.

Alckmin apresentou projeto nesta quarta-feira:

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