Trio de PMs que arrastou vítima em carro é preso

Por Caio Cuccino Teixeira
Moradores voltaram a fechar a avenida Edgard Romero em protesto ontem | Celso Barbosa/Brazil Photo Press/Folhapress Moradores voltaram a fechar a avenida Edgard Romero em protesto ontem | Celso Barbosa/Brazil Photo Press/Folhapress

Os três PMs (Policiais Militares) envolvidos na morte da auxiliar de serviços gerais Claudia Silva Ferreira, de 38 anos, foram encaminhados nesta segunda-feira à tarde ao Batalhão Especial Prisional, em Benfica, na zona norte do Rio de Janeiro, após prestarem depoimento.

Os subtenentes Adir Serrano Machado e Rodney Miguel Arcanjo e o sargento Alex Sandro da Silva Alves foram autuados pelo artigo 324 do Código Penal Militar, que é deixar de observar a lei ou regulamento, dando prejuízo à administração militar. O IPM (Inquérito Policial Militar) está a cargo da 2ª Delegacia de Polícia Judiciária da PM.

Um novo vídeo, divulgado pelo Jornal Extra do Rio de Janeiro, mostra que Claudia Ferreira da Silva já estava sendo arrastada por pelo menos cem metros, antes de um cinegrafista amador ter filmado a viatura da PM com o porta-malas aberto, com Claudia pendurada no para-choque por um pedaço de roupa. O novo vídeo comprova que a vítima andou desta forma por pelo menos 350 metros.

Baleada durante uma operação policial no domingo, em Madureira, na zona norte do Rio, Claudia foi resgatada pelos PMs. Eles a colocaram no porta-malas do carro e seguiram para um hospital. No caminho, o porta-malas se abriu e ela foi arrastada por cerca de 250 metros. A auxiliar de serviços gerais já chegou à unidade morta, segundo a Secretaria Estadual de Saúde.

O corpo foi enterrado no início da tarde de segunda-feira. Depois, cerca de 100 moradores da comunidade de Congonha, em Madureira, voltaram a protestar na avenida Edgard Romero, fechando as duas pistas da via por volta de 14h30. O trânsito só foi liberado às 16h10. Pela manhã, a mesma avenida ficou quase 15 horas interditada depois que dois ônibus foram incendiados na noite de domingo.

Familiares de Claudia avaliam a possibilidade de entrar na Justiça contra o Estado. Eles denunciam que a auxiliar de serviços gerais foi atingida por tiros da própria PM. “Como que ela iria trocar tiros com eles se estava com R$ 6 para comprar pão e um copo de café?”, indagou o irmão Julio Cesar Ferreira, 42 anos.

Cláudia teve quatro filhos com o vigia Alexandre Fernandes Silva, 41 anos. Desolado, ele lembrou que é aniversário do casal de gêmeos no domingo. “Eu vou me apegar a eles [filhos] e ajudá-los, para a gente seguir em frente. Eles sabem o que a mãe queria. Ela ainda ajudava a criar os sobrinhos”, lamentou o marido, que vivia há 25 anos com Claudia.

‘Vou pedir para os meus filhos não assistirem’

Mais de 200 pessoas acompanharam o enterro | Daniel Marenco/Folhapress Mais de 200 pessoas acompanharam o enterro | Daniel Marenco/Folhapress

O carro que transportava a auxiliar de serviços gerais Claudia Silva Ferreira para o hospital passou por uma perícia do Centro de Criminalística da Polícia Militar, nesta segunda-feira.

Segundo o tenente-coronel Wagner Moretzsohn, a perícia ainda não tem um laudo final, mas ele próprio verificou que não há dano no trinco do porta-malas. Foi detectado uma avaria na dobradiça, mas não é possível afirmar que isso causou a abertura da mala.

A resposta definitiva será dada somente no laudo oficial.

Alexandre, marido de Claudia, disse que, se a polícia tivesse deixado sua mulher no local para esperar o trabalho da perícia, a revolta seria menor.

Ele afirmou que não viu o vídeo em que o corpo aparece sendo arrastado pelo carro da PM e disse que só soube que a mulher havia sido arrastada no caminho para o hospital.

“Eu prefiro não ver e vou pedir para os meus filhos não assistirem, porque vai ser revoltante”, explicou.

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