Mulher arrastada por carro da PM chegou morta a hospital no RJ

Por george.ferreira
Cláudia foi baleada em uma operação policial em sua comunidade | Reprodução TV Cláudia foi baleada em uma operação policial em sua comunidade | Reprodução TV

Cláudia da Silva Ferreira, moradora da comunidade da Congonha, na zona norte do Rio de Janeiro, arrastada por um carro da Polícia Militar, neste domingo já chegou morta ao hospital. A informação foi divulgada pela Secretaria Estadual de Saúde, responsável pelo Hospital Carlos Chagas, para onde a mulher foi encaminhada.

A moradora foi baleada em uma operação policial em sua comunidade. Três policiais militares prestaram socorro e colocaram a mulher no porta-malas do carro. Segundo a assessoria de imprensa da PM, no caminho para o hospital, o porta-malas abriu e Cláudia se projetou para fora do carro. Presa no automóvel, ela acabou sendo arrastada.

Um video filmado por um cinegrafista amador e divulgado pelo Jornal Extra do Rio de Janeiro, mostra seu corpo pendurado pelo para-choque do veículo apenas por um pedaço de roupa. De acordo com o jornal, Cláudia foi arrastada por cerca de 250 metros, batendo contra o asfalto conforme o veículo fazia ultrapassagens e, apesar de alertados por pedestres e motoristas, os PMs não pararam.

Os policiais foram presos por determinação da própria Polícia Militar. Um inquérito policial militar (IPM) foi aberto para investigar a conduta dos agentes no socorro à vítima. O carro passou por uma perícia do Centro de Criminalística da PM.

Manifestação

Dois ônibus foram incendiados na noite deste domingo na avenida Ministro Edgar Romero, em Madureira, zona norte, em protesto contra a morte de Cláudia. A vítima, que havia saído de casa para comprar pão, chegou a ser levada para o hospital, mas não resistiu. Segundo a PM, um outro homem, que seria ligado ao tráfico de drogas, também foi atingido durante a ação.

Pela manhã, um outro ônibus já havia sido incendiado na entrada da comunidade Vila Aliança, próximo ao viaduto de Bangu, na zona oeste. Segundo a PM, o ato teria sido uma resposta de traficantes a uma operação do 14º BPM (Bangu), que também aconteceu na favela da Coreia – localizada próximo ao ponto onde o veículo foi incendiado. Também houve troca de tiros.

PM amplia atuação no Alemão com ajuda do Bope

Após as duas semanas de curso com o Bope (Batalhão de Operações Especiais), os 100 policiais militares de UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) estarão melhor preparados para atuar em comunidades pacificadas que estão sofrendo com ataques de traficantes, afirma a polícia. Segundo o chefe do Centro de Instrução do COE (Comando de Operações Especiais), major Luciano Barbosa, os PMs vão aprender e aprimorar as condutas de patrulha com os agentes do Bope, que são referência no quesito.

“Esse conhecimento vai fazer com que eles tenham capacidade de dar uma pronta resposta muito melhor que poderiam dar. São técnicas que eles conhecem, mas não no nosso nível técnico [do Bope], e por isso serão aprimoradas. Com esse treinamento, vai haver menos vítimas de policiais e civis”, acredita o major Luciano.

Os policiais do curso, escolhidos a dedo entre os mais experientes de todas as UPPs, já tiveram aulas teóricas, nas manhãs de sábado e ontem, como instruções de tiro, de abordagem de pessoas e de veículos, e de patrulhamento em áreas de alto risco. Na parte da tarde, orientados por 30 homens da tropa de elite, o grupo fez incursões no Complexo do Alemão. O objetivo é fazer com que eles conheçam a área, composta por 15 comunidades.

“Se houver qualquer tipo de situação de conflito durante as aulas, quem vai atuar é o Bope, que permanecerá no Alemão por tempo indeterminado”, afirmou o major.

Os policiais irão fazer o curso e receber treinamento no Alemão até o dia 28. Depois, parte deles permanecerá nas comunidades do complexo e a outra segue para a Rocinha, na zona sul.

O curso faz parte do pacote de respostas da PM para combater os constantes confrontos e ataques de traficantes às UPPs, que têm causado morte de policiais. Desde o mês passado, quatro PMs que atuam nas unidades do Alemão e da Penha foram mortos.

Ontem, o comandante das UPPs, coronel Frederico Caldas, afirmou ao Globo online que a polícia já identificou, através de fotos, três suspeitos de matar o subcomandante da UPP da Vila Cruzeiro, na Penha. O tenente Leidson Acácio Alves, de 27 anos, foi baleado na última quinta-feira.

Enterro de policiais

Dois PMs mortos no sábado foram enterrados neste domingo, no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, na zona oeste, sob forte comoção. O soldado Leonardo Nascimento Mendes, de 27 anos, que era lotado na UPP da Rocinha, estava de folga quando foi assassinado ao sair de uma festa em Cordovil, na zona norte.

Já o cabo Alexandre Costa Pereira, de 35 anos, foi morto em uma tentativa de assalto na rodovia Washington Luís, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

UPP Manguinhos

Policiais da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) de Manguinhos, na zona norte da cidade, estavam em patrulhamento na Rua Don Helder Câmara, próximo a UPA Manguinhos, por volta das 5h30min da manhã deste domingo, quando desconfiaram de um automóvel parado na via.

Ao fazer a aproximação, criminosos efetuaram disparos contra os agentes e tentaram fugir. A equipe policial revidou os disparos e houve perseguição. Os bandidos abandonaram o veículo e fugiram a pé por vielas da comunidade do Jacarezinho.  O caso foi registrado na 21ª DP ( Bonsucesso).

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