Ceagesp suspende cobrança de estacionamento por tempo indeterminado

Por george.ferreira

A cobrança por estacionamento na Ceagesp (Companhia de Entreposto e Armazéns Gerais de São Paulo), na capital paulista, foi suspensa por tempo indeterminado. O mercado de varejo que ocorre aos fins de semana foi cancelado neste sábado e domingo.

Segundo o presidente da companhia, Mário Maurici Morais, as demais operações funcionarão “em condições especiais”, limitadas pelos danos sofridos durante o protesto desta sexta-feira. Circulam pelo terminal uma média de 12 mil veículos e 50 mil pessoas por dia. Nos fins de semana, quando a maior parte das atividades do atacado não funciona, o movimento é menor.

O protesto contra o início da cobrança para estacionamento de carros e caminhões começou durante a manhã. Cabines e carros foram depredados e um caminhão foi incendiado. Os manifestantes também atearam fogo ao prédio do Departamento de Entrepostos e ao do setor de fiscalização, que corre o risco de desabar. Dois pelotões da Tropa de Choque entraram pouco depois das 12h30 na Ceagesp e controlaram o protesto. Quatro pessoas ficaram feridas, uma delas à bala.

O presidente do Ceagesp disse que o protesto foi uma “ação de bandidos”. “A Ceagesp foi vítima de um atentado de grande violência que nós lamentamos muito, em especial pelos feridos.” Para Morais, a ação de hoje foi orquestrada. Segundo ele, um pequeno grupo já tinha tentado causar tumulto na quinta-feira (13), mas foi contido pela equipe de segurança da Ceagesp. Ele não soube dizer, no entanto, se são verdadeiras as denúncias de que, na ação de hoje, funcionários da empresa de segurança que presta serviço à Ceagesp usaram munição letal contra os manifestantes.

Na opinião dele, o protesto foi uma reação ao sistema, que além de cobrança, estabelecerá controle de entrada e monitoramento, inclusive com câmeras de segurança, de todo o entreposto. “O que está em jogo é se isso é um espaço público no sentido de que pertence à sociedade ou no sentido de que é de qualquer um”, disse em entrevista coletiva.

Ele destacou ainda que fatos semelhantes ocorreram há dois anos, quando foi anunciado o edital para implementação do sistema de controle e cobrança. De acordo com Morais, não se trata de uma revolta generalizada, mas uma ação de um grupo de cerca de 150 pessoas. “Não está adiada a nossa intenção de fazer o controle de entrada e saída, cobrando ou não”, pontuou.

A partir do próximo dia 20, será proibida a entrada de veículos não relacionados com as atividades da Ceagesp. Os fornecedores, distribuidores e compradores deverão se cadastrar para ter acesso ao entreposto. A medida é necessária, de acordo com Morais, para coibir a prática de crimes dentro das instalações. “Este não é o ambiente mais adequado para exercer a missão que ele tem”, disse ao citar as 380 ocorrências anuais de crimes dentro do entreposto, como casos de homicídio, furto e exploração sexual de crianças e adolescentes. “Aqui tem de tudo, absolutamente de tudo”, enfatizou.

Segundo o presidente, a cobrança foi a forma encontrada para remunerar a empresa responsável por instalar 360 câmeras em todo o mercado. Além disso, a ideia era reduzir o número de veículos que usam o terminal como estacionamento, prejudicando as atividades da companhia. De acordo com Morais, o valor pago pelos caminhões apenas pela carga e descarga não impactaria nos ganhos das empresas. Segundo ele, para ficar quatro horas dentro do entreposto, o valor cobrado é R$ 4.

A concessionária que venceu a concorrência assinou contrato por sete anos e fez um investimento de cerca de R$ 22 milhões. Do valor arrecadado com a cobrança do estacionamento, 4% são revertidos à Ceagesp. Segundo Cesár Vaiano, diretor executivo da C3V, empresa responsável pelo sistema, ainda não há uma avaliação dos prejuízos nem se sabe se eles poderão ser cobertos pela apólice de seguro. “Nós temos seguro dos equipamentos colocados aqui. Mas é uma situação atípica, porque não foram danos previstos normalmente. Foi depredação que não sei nem como se enquadraria no contrato de seguro”.

Vaiano ressaltou, no entanto, que o foco imediato da empresa é a segurança dos 230 funcionários que trabalham no terminal e no restabelecimento pleno das operações na Ceagesp. “A nossa empresa é apensa uma ferramenta para ajudar a organizar o sistema de carga e descarga, por meio de monitoramento e controle de acesso.”

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Manifestação

Quatro pessoas ficaram feridas, uma delas à bala, durante atos de vandalismo na manhã desta sexta-feira na Ceagesp (Companhia de Entreposto e Armazéns Gerais de São Paulo), na zona oeste de São Paulo. A confirmação foi dada à Agência Brasil pela assessoria de imprensa da Ceagesp. Segundo a assessoria, o ferido foi levado ao Hospital Universitário da USP (Universidade de São Paulo).

O hospital informou que o paciente Wellington Washington dos Santos, 23 anos, foi submetido a uma cirurgia e seu quadro clínico é estável. Mais cedo, a Ceagesp confirmou que os seguranças da companhia dispararam vários tiros para o alto durante o protesto. Os feridos são três seguranças privados atingidos por pedras.

O protesto teve início na manhã desta sexta. Caminhoneiros protestaram contra o início da cobrança para estacionamento de carros e caminhões. Por volta das 12h, eles colocaram fogo na sede da fiscalização da companhia. Mais cedo, haviam quebrado cabines, montado barricadas, depredado carros e incendiado um caminhão. Foram incendiados também o prédio do Departamento de Entrepostos, que corre risco de desabar, e o prédio do setor de fiscalização. Também foram incendiados contêineres de lixo no Portão 13. Dois pelotões da Tropa de Choque entraram pouco depois das 12h30 na Ceagesp e controlaram o protesto.

Policias ao lado de caminhão queimado pelo manifestantes | Mauricio Camargo/ Eleven/ Folhapress Policias ao lado de caminhão queimado pelo manifestantes | Mauricio Camargo/ Eleven/ Folhapress

José Luiz Batista, presidente do Sindicato dos Permissionários em Centrais de Abastecimento de Alimentos do Estado de São Paulo, negou que a manifestação tenha sido convocada pelos sindicatos do setor. “O sindicato patronal, que é produtor rural, que tem seu produto para comercializar, não ia orquestrar uma manifestação desordenada do jeito que foi. Foi uma manifestação voluntária. Sabíamos que a insatisfação era grande”, disse ele.

“Temos interesse em apurar quem foram os culpados por essa manifestação. Houve prejuízo para a companhia e dano público. Não sei dizer o tamanho do dano, mas o mercado se recompõe muito fácil. Os boxes estão todos em funcionamento, não tem qualquer problema para trabalhar. Mas se tiver cobrança, a paralisação está mantida. A categoria não aceitará sem discutir essa cobrança”, acrescentou o sindicalista.

Caminhoneiros revoltados com a lentidão na Ceagesp nesta manhã colocam fogo em uma caçamba e atacam agora cabines de cobrança do estacionamento |n Vanessa Marchiolli / Ouvinte Band News FM Caminhoneiros revoltados com a lentidão na Ceagesp nesta manhã colocam fogo em uma caçamba e atacam agora cabines de cobrança do estacionamento |n Vanessa Marchiolli / Ouvinte Band News FM

Um dos prédios atingidos pelo vandalismo foi o do Departamento de Entrepostos, onde trabalhava Nilda Roncolato, chefe de seção. Ela disse que trabalhava no local há 35 anos e que nunca tinha presenciado algo como o que ocorreu hoje. “Acho que não tinha necessidade disso. Podia ser conversado. Isso aqui é nossa casa. Se o pessoal quer cobrar ou não, é preciso conversar, ver os prós e contras”, disse ela, que chorou ao ver o prédio pela primeira vez depois de destruído.

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Nilda estava no local quando os manifestantes chegaram jogando pedras e incendiando o prédio. “Era tudo mascarado. Não era gente que veio para conversar, mas para tumultuar mesmo. Eles [manifestantes] atacaram com pedras alguns seguranças. Estavam eu e meus funcionários. Jogaram pedras e ficamos com medo. Queimaram o carro de guincho. Só não pegaram a ambulância porque ela tinha ido socorrer alguém”, contou ela.

“O prejuízo foi grande. Na parte de documentação, com certeza”, disse ela, que contou que a maior parte da documentação que havia no local se referiam a contratos. Segundo Nilda, nenhum dos contratos eram digitalizados.

Cabine de cobrança também foi depredada | Mauricio Camargo/Eleven/Folhapress Cabine de cobrança também foi depredada | Mauricio Camargo/Eleven/Folhapress
Carro foi depredado e incendiado antes da chegada da polícia | Mário Ângelo/ Sigmapress/ Folhapress Carro foi depredado e incendiado antes da chegada da polícia | Mário Ângelo/ Sigmapress/ Folhapress

 

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