Paulista não tem ‘refresco’ nem no horário do almoço

Por Tercio Braga

Nem mesmo na hora do almoço, o morador da Grande São Paulo consegue ter um refresco para se deslocar com mais tranquilidade por ruas e avenidas, seja de carro, ônibus ou moto.

A Pesquisa Origem e Destino divulgada nesta segunda-feira pelo Metrô revelou que os deslocamentos nesse período, conhecido como do entrepico, já superam os registrados nos picos da manhã e da tarde (das 7h às 10h e das 17h às  20h).

Às 12h, cerca de 5 milhões de viagens são realizadas em toda Grande São Paulo, ante 4,5 milhões durante os períodos da  manhã e da tarde.

Segundo a pesquisa, no entrepico, a maior parte dos deslocamentos é feito de forma não motorizada. Ou seja, a pé ou de bicicleta. Em 2007, o vaivém mais intenso ocorria durante a manhã, com 4 milhões de viagens.

A mudança no comportamento dos paulistas ocorre por conta da entrada e saída de crianças das escolas; do grande número de pessoas que hoje optam por almoçar em casa e devido às alterações nas jornadas de trabalho.

A pesquisa, que ouviu 8.115 pessoas, em 31 regiões, também mostra que a população de baixa renda está usando menos o transporte coletivo e mais o individual – queda de 2% para quem ganha até R$ 2,4 mil e de 4% para quem tem renda entre R$ 2,4 mil e  R$ 4,9 mil.

Por outro lado, os trabalhadores com renda elevada  passaram a utilizar mais o transporte coletivo. O crescimento é de 1% para quem ganha entre R$ 4,9 mil e 9,3 mil, e 6% para quem tem renda superior a R$ 9,3 mil.

Uso de carros e motos registra aumento de 21%

Em cinco anos, houve um aumento de 21% no número de pessoas que decidiram utilizar carros ou motos para se descolocar na Grande São Paulo, revela a Pesquisa Origem e Destino.

Foram cerca de 13,6 milhões de viagens por dia útil em 2012, ante 11,2 milhões em 2007. O aumento é superior ao do uso do transporte coletivo, que cresceu 16% – passando de 13,9 milhões, em 2007, para 16,1 milhões, em 2012.

Para o secretário dos Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, as políticas que incentivaram a aquisição de veículos, como redução do IPI e a facilidade para o parcelamento dos automóveis, foram decisivas para essa diferença. “Houve muito incentivo ao transporte individual. A própria gasolina teve o preço congelado”, afirmou o secretário dos Transportes.

A frota de carros registrou um crescimento de 18% no período.

Cláudio Barbieri da Cunha – ‘Morar longe impulsiona migração’

O fenômeno da classe alta utilizar mais o transporte público pode ser explicado porque uma fatia expressiva dessa população morar próxima ao centro, onde a rede de transporte oferece um serviço mais eficiente, o que leva a troca do carro pelo metrô, por exemplo.

Por outro lado, grande parcela da população de baixa renda mora em regiões distantes dos postos de trabalho, o que incentiva à aquisição do automóvel ou da moto.

Além disso, o governo federal também deu uma série de incentivos para facilitar a compra do automóvel. Medida que também contribui para essa mudança de comportamento.

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