Mesmo depois do Carnaval, USP Leste mantém alunos em ‘férias’

Por fabiosaraiva
Campus enfrenta contaminação do solo e risco de explosão | Divulgação Campus da USP Leste está com solo contaminado e correria risco de explodir | Divulgação

Passado o feriado prolongado de Carnaval, o ano letivo na USP Leste (Universidade de São Paulo) ainda não começou em 2014. O campus está interditado pela Justiça desde o início de janeiro, porque o terreno do local está contaminado. Enquanto isso, os alunos dos demais campi voltaram às aulas no dia 17 de fevereiro.

Exigindo o retorno das aulas, os estudantes da USP Leste programaram para a tarde de hoje um protesto em frente à reitoria da universidade, no campus Butantã. “Só queremos ter aula. Nada mais do que isso”, afirmou ao Metro Jornal Reginaldo Noveli, de 24 anos, que cursa o 3o ano de Gestão de Políticas Públicas e está a frente do ato.

Segundo ele, o reitor da USP, Marco Antonio Zago, teria dito aos alunos que o campus seria desinterditado nesta segunda-feira e, depois, adiou para o dia 24 de março. “Ele estipulou datas, mas nada foi feito até agora para desintoxicar o terreno”, disse.

Estava sendo estudado pela USP levar alunos de alguns cursos para outros locais, como o próprio campus do Butantã, ou Fatecs (faculdades de tecnologia) e Etecs (escolas de ensino técnico).

Noveli diz que, se as aulas começassem a ocorrer fora da universidade “com certeza, perderia qualidade de ensino. Não dá para levar bibliotecas e laboratórios para outros lugares. Nem confortar a cerca de 4 mil alunos e 5 mil professores e funcionários”, afirmou.

Segundo o Sinteps (Sindicato dos trabalhadores do centro Paula Souza), levar os alunos da USP Leste para as Fatecs e Etecs é inviável. “Atualmente, faltam salas. Eles não fazem ideia de como está superlotado.”

A estudante de Lazer e Turismo da USP Leste Natália de Souza, de 20 anos, se diz preocupada com toda essa situação. “É o meu terceiro ano da faculdade. Eu tenho medo de atrasar a minha formatura e sacrificar projetos futuros”, disse.

No mesmo curso, Mariana Lotério, também de 20 anos, relembra a falta de aulas no final do ano passado. “Os conteúdos foram bem corridos ou até não concluídos. Tivemos uma reposição de aulas em janeiro, na Cidade Universitária, mas não foram todos os professores que cumpriram”.

A maior preocupação dos alunos, agora, é a provável perda do semestre de aulas, já que o calendário da universidade foi modificado devido a Copa do Mundo, que começa no mês de junho.

 

Outro lado: USP afirma que aulas começarão no dia 24 de março

A USP (Universidade de São Paulo) divulgou uma nota em que afirma que as aulas de Graduação e Pós-Graduação no campus da zona leste vão começar na última segunda-feira deste mês, dia 24 de março.

Segundo a universidade, será analisado, caso a caso, o encaminhamento de atividades de Pós-Graduação, como a defesa de dissertações e teses, realização de qualificações, entre outros.

A USP diz, ainda, que as ações para solucionar os problemas ambientais avançaram “significamente nos últimos 30 dias”. Entre elas, estão a contratação de bombas fixas para extrair os gases do solo, o encaminhamento à Cetesb e o isolamento da área contaminada.

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