Polícia prende 230 durante manifestação em São Paulo

Por Tercio Braga
Polícia detém black blocks após quebra-quebra em manifestação, em São Paulo | Paulo Whitaker/Reuters Polícia detém black blocks após quebra-quebra em manifestação, em São Paulo | Paulo Whitaker/Reuters

A polícia deteve 230 manifestantes foram detidos durante protesto contra a Copa do Mundo no centro de São Paulo. Segundo os policiais, alguns manifestantes portavam spray, estilingues, bolas de gude, correntes, máscaras, e até porções de maconha no ato, que teve início por volta das 17h da tarde na Praça da República e foi encerrado por volta das 23h.

Cinco policiais ficaram feridos: um soldado com corte no lábio, um cabo e outro soldado com fratura no membro superior; e um com corte no rosto. O último policial militar foi ferido por uma garrafada no pescoço e foi levado ao pronto-socorro Vergueiro. Entre os manifestantes, dois precisaram de atendimento médico. Não há informações sobre o estado de saúde dos feridos.

Vigilância

O sistema de monitoramento de vídeo da estação Ana Rosa mostrou um manifestante abandonando uma mochila. Os funcionários do Metrô, ao verificá-la, acharam em seu interior um “coquetel Molotov”.

Mais cedo, na Rua Xavier de Toledo, manifestantes provocaram tumulto, depredaram agências bancárias e entraram em confronto com a PM. Os manifestantes estão sendo encaminhados ao 78°, 4° e 3° Distritos Policiais.

Ocorrência

A manifestação contra os gastos com a Copa do Mundo reuniu cerca de mil pessoas na Praça da República. Durante os protestos, a Polícia Militar adotou uma ação diferente para deter grupos “Black Bloc”, cercando diversos manifestantes adeptos da tática de vandalismo com uma grande barreira [veja no vídeo abaixo].

Na página do evento no Facebook, os organizadores criticam a forma como a Copa do Mundo ocorrerá no país. “Bilhões do nosso dinheiro público estão sendo gastos em estádios privados, milhares de famílias estão sendo removidas de suas casas e os investimentos em rodovias e transporte público encontram mais um motivo para servir à especulação imobiliária.”

Reincidência

Esse foi o segundo protesto do ano contra a Copa, em São Paulo. O primeiro, em 25 de janeiro, foi marcado pela violência. O protesto teve a participação do movimento Black Bloc, que entrou em confronto com a Tropa de Choque. Parte dos manifestantes ficou presa dentro de um hotel na Rua Augusta, quando tentava se refugiar das bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha. Um dos participantes, Fabrício Alves, de 22 anos, reagiu a uma abordagem da PM com um estilete, levando dois tiros. Fabrício ficou 16 dias internado na Santa Casa.

Na página da rede social, os manifestantes reclamaram, dizendo que a intimação para as 16h seria uma tentativa desleal de enfraquecer o ato, que foi marcado para as 17h. “A Polícia Civil, a mando de forças maiores, está intimando manifestantes a depor no mesmo dia e horário da manifestação contra Copa. Essa é a forma que eles encontraram de intimidar os ativistas. Não vamos nos calar diante dessa afronta”, dizem.

No início deste mês, no Rio de Janeiro, o cinegrafista da Band Santiago Andrade foi morto, vítima de um rojão lançado contra sua cabeça por um manifestante Black Bloc.


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