Contrato com empresas de ônibus será prorrogado em São Paulo

Por Tercio Braga

Será contratada na próxima semana a empresa responsável por auditar o sistema de ônibus da capital paulista. Segundo o secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto, a licitação para o serviço foi ganha pela consultoria Ernst & Young. “Existem muitas dúvidas em relação a quanto os concessionários, os empresários e as cooperativas ganham no sistema de transporte. E se esse valor é justo ou não, independente do valor da tarifa. Porque eu sei que a luta de vocês é pela tarifa zero”, disse na noite desta quinta-feira, ao participar de debate promovido pelo Movimento Passe Livre (MPL), em frente à sede da prefeitura, no centro da cidade.

A principal pauta do debate foi o corte e mudanças nos itinerários de linhas de ônibus na periferia da cidade feitos ao longo dos últimos meses. Segundo o secretário, desde o início do ano passado, 70 linhas sofreram alterações. Ao final do ato, Tatto recebeu do MPL uma catraca de ouro satirizando o apoio que o secretário, na opinião do movimento, dá aos empresários do transporte.

Para o membro do MPL, Caio Martins, as mudanças prejudicam os usuários, que tem que fazer mais baldeações para chegar ao destino. Ainda de acordo com ele, os cortes de linhas também aumentam a remuneração repassada como subsídio para as empresas no sistema do bilhete único. Com o cartão, o passageiro pode pegar até quatro ônibus, em um período de três horas, pagando apenas uma passagem. “Por mais que essa tarifa da integração a gente não pague, por causa do bilhete único, os empresários ganham da mesma forma. Eles ganham por catraca girada. O movimento defende que essa forma de remuneração tem que mudar imediatamente”, reclamou.

Tatto, no entanto, defendeu a divisão das linhas. De acordo com o secretário, as mudanças aumentam a eficiência do sistema, com ônibus maiores fazendo o trajeto até os terminais e veículos menores atendendo aos passageiros nos deslocamentos dentro dos bairros. “Nós estamos em um esforço muito grande para organizar o sistema de transporte na cidade de São Paulo. O que não é fácil, é complexo, mas está no caminho certo. As reclamações do ano passado para este ano diminuíram em 36%”, disse. Ele disse ainda que existe um mecanismo no contrato para impedir que a divisão das linhas implique, necessariamente, em aumento da remuneração das empresas.

Porém, as mudanças foram muito criticadas durante quase duas horas de discussão por usuários de várias regiões da cidade. Moradora da região de São Mateus, a professora de sociologia Tabita Lopes disse que o corte da linha que saia do Jardim Colonial para o centro da cidade aumentou o tempo de viagem dos usuários. Além disso, segundo ela, as vans que atendem dentro dos bairros não estão preparadas para idosos e deficientes físicos. “As vans não têm acessibilidade para deficientes físicos. E os idosos têm tido muitos problemas, porque os motoristas não têm paciência”, relatou.

Morador da Vila Indiana, zona sul da capital, Hélio Camargo reclamou do corte da linha que ligava o bairro à Avenida Paulista. Segundo ele, os usuários não foram consultados sobre a alteração que impactou o cotidiano dos moradores da região. Por isso, Camargo disse que a população continuará a pressionar a prefeitura pelo retorno do itinerário. “Nós já fizemos duas mobilizações no bairro e estão previstas outras. Porque nós não temos outro jeito [de nos expressarmos]”.

O secretário disse que não serão feitas novas mudanças no trajeto dos ônibus sem consulta à população afetada. Tatto chegou a pedir desculpa por erros apontados durante o debate, como a mudança nas linhas sem avisar com antecedência os usuários. “A gente erra às vezes por não ouvir”, ponderou.


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